Campos Neto determinou auditorias no Master, mas empresas não viram erros

Então presidente do BC estabeleceu análises sobre precatórios

Depois de críticas do mercado sobre a existência e avaliação de precatórios do Master, o Banco Central (BC) solicitou duas auditorias externas nesses ativos, ainda sob a presidência de Campos Neto.

Os responsáveis pelas análises não identificaram irregularidades nos processos revisados.

Essas auditorias foram contratadas após interpelações envolvendo a veracidade e o valor dos precatórios registrados no balanço do banco controlado por Daniel Vorcaro.

O Master concentrava grande parte de seus ativos em precatórios, empréstimos corporativos e certificados de recebíveis imobiliários, conhecidos como CRIs.

Em março de 2024, o BC formalizou a exigência ao Master para que comprovasse a origem, a existência e os valores dos precatórios, além de detalhar o histórico de transferências desses direitos.

A determinação foi registrada no ofício 5.582 do Departamento de Supervisão Bancária, conforme relatório da AudBancos, unidade do TCU especializada em auditoria bancária.

Investigações do TCU e atrasos no julgamento

O relatório 12, produzido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2026, investiga os procedimentos do BC diante das operações do Banco Master.

O documento chegou nas mão do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo, que decidiu adiar o julgamento para aguardar as apurações em andamento na CGU sobre ex-dirigentes do BC suspeitos de favorecimento à instituição.

O Galdino Advogados esclareceu, em nota, que seus pareceres limitaram-se à análise dos riscos jurídicos e da expectativa de recebimento dos créditos judiciais, sem considerar questões econômicas ou financeiras.

“Trata-se de serviço habitual do mercado de aquisição de precatórios, contratado por aqueles que pretendem adquirir créditos decorrentes de processos judiciais”, afirmou o escritório.

Segundo pessoas com conhecimento do caso, os trabalhos incluíram a análise dos valores contábeis dos precatórios, mas não apontaram inconsistências.

A KPMG, por sua vez, informou que deixou de atuar como auditora externa do Master a partir de 2025 e que, por questões de sigilo profissional, não comentaria casos de antigos clientes.

Reações do BC e do mercado

CPI
Ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, na sede do banco, na Avenida Paulista, em São Paulo, SP (27/6/2024) | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Conforme balanço do Master em 31 de dezembro de 2024, havia R$ 8,7 bilhões em precatórios e direitos creditórios.

A KPMG declarou que avaliou a documentação, a titularidade e o andamento dos processos, considerando a mensuração dos ativos adequada.

O TCU avaliou que, a partir de 2023, o Banco Central intensificou o acompanhamento sobre a qualidade dos ativos do conglomerado Master, a avaliação de risco de crédito e a real situação da carteira de precatórios.

Em outubro de 2023, uma resolução limitou o crescimento desses ativos, mas agentes do mercado julgaram a medida insuficiente e tardia.

Depois da resolução, integrantes do Banco Central relataram que o Master praticamente interrompeu novas compras de precatórios.

No ano seguinte, a instituição indicou o Galdino para realizar a auditoria externa, conforme determinação do BC.

*Fonte: Revista Oeste