Mendonça não garante homologar delação de Vorcaro

Em busca de fatos novos, ministro quer comparar depoimento com apuração da Polícia Federal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça disse a interlocutores que não pretende homologar automaticamente uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro quando ela for apresentada. Segundo relatos, a ideia é comparar o conteúdo da proposta com os achados da Polícia Federal (PF) nas investigações em andamento sobre o Banco Master.

A expectativa é de que tanto uma primeira proposta de delação quanto a conclusão das investigações da PF sejam apresentadas até meados de maio. A validação do acordo ocorreria somente se constatados avanços relevantes em relação ao que já tenha sido apurado, informou hoje a CNN.

Ministro estabelece prazo para o fim das apurações 

Do lado de Vorcaro, há pressa em formalizar o acordo na tentativa de deixar a prisão. Já os investigadores trabalham com o prazo concedido pelo próprio Mendonça, que determinou 60 dias para a conclusão das apurações a partir de 18 de março, período que se encerra em 18 de maio.

Fontes que acompanham o processo afirmaram que a expectativa do ministro em relação ao conteúdo da delação é considerada baixa, apesar de o advogado do banqueiro ter indicado que o cliente pretende revelar “toda a verdade”. 

Um dos fatores apontados é a proximidade do defensor de Vorcaro com ministros do STF potencialmente citados, o que teria influenciado o plano inicial da delação, que miraria políticos e pouparia integrantes da Corte.

Informações divulgadas ao longo da semana indicam, no entanto, que houve avanços nas descobertas envolvendo ministros do STF, o que poderia levar à abertura de uma investigação formal. Para que isso ocorra, seria necessária aprovação por maioria do plenário da Corte, cenário descrito como apertado.

Nesse contexto, o voto de desempate caberia ao ministro Kassio Nunes Marques. A avaliação de interlocutores é de que ele vem sendo alvo de pressões e críticas, com o objetivo de influenciar seu posicionamento sobre uma eventual abertura de investigação.

*Fonte: Revista Oeste