Decisão sobre a medida ocorreu depois que o diálogo entre Washington e Teerã fracassou no Paquistão
A partir das 10h desta segunda-feira, 13, o Exército dos Estados Unidos (EUA) dará início ao bloqueio dos portos do Irã, conforme comunicado do presidente norte-americano Donald Trump. A decisão sobre a medida ocorreu depois que o diálogo entre Washington e Teerã fracassou no Paquistão, diante da negativa iraniana em abandonar seu programa nuclear.
Segundo a administração republicana, apenas embarcações que não tenham o Irã como origem ou destino poderão navegar livremente, conforme detalhou o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio. O presidente também declarou à Fox News que o Reino Unido e outros aliados enviarão navios especializados em desminagem para a região.
Reações internacionais ao bloqueio dos EUA
O governo iraniano reagiu prontamente e classificou o bloqueio como “ilegal” e um ato de “pirataria”. O Exército do Irã alertou que, se a ação for implementada, nenhum porto da região do Golfo estará “a salvo” de possíveis retaliações. Países como Espanha e China também expressaram oposição à manobra dos EUA.
A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, criticou a decisão dos Estados Unidos. “É algo sem sentido, sem razão”, disse. “Mais um episódio de toda essa deriva em que fomos colocados.”
Já porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, defendeu a restauração de uma navegação “sem obstáculos” pelo Estreito de Ormuz. Ele pediu que disputas se encerrem por via política e diplomática, evitando “reativar a guerra”.
Consequências econômicas e cenário de guerra

O fracasso das negociações em Islamabad no fim de semana e o anúncio do bloqueio aumentam a preocupação internacional. O barril de petróleo iniciou a semana acima de US$ 100, com o Brent registrando alta superior a 7% e o WTI subindo mais de 8%.
A ausência de acordo agrava o temor de novos ataques no conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ofensiva contra o Irã. A guerra se espalhou pela região depois de represálias da república islâmica, resultando em mais de 6 mil mortos.
Com o cessar-fogo de duas semanas previsto para expirar em 22 de abril, a continuidade da trégua permanece indefinida. O Paquistão, responsável pela mediação, solicitou respeito ao acordo, mas até o momento nem Estados Unidos nem Irã emitiram novos posicionamentos.
*Fonte: Revista Oeste