Cúpula da Câmara recebe até R$ 23 mil em horas extras

Diretores da Casa justificam ganhos com trabalho aos fins de semana em valores que superam o teto constitucional

A cúpula da Câmara dos Deputados inflou os contracheques com o pagamento de horas extras. O diretor-geral da instituição, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu quase R$ 23 mil sob essa rubrica apenas em março deste ano. Para atingir tal valor, o funcionário precisaria cumprir o limite máximo de horas extras nos dias úteis e trabalhar entre 18 e 25 horas por dia em todos os fins de semana do mês. A apuração é do portal Metrópoles.

Brandão comanda a administração da Casa desde agosto de 2025, logo que foi indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Além dele, cerca de 70 funcionários receberam mais de R$ 10 mil apenas em horas extras. Servidores ouvidos pelo portal afirmam ser impossível os diretores trabalharem efetivamente aos sábados e domingos, pois as funções dependem de equipes de subordinados que não estão presentes.

Acúmulo de penduricalhos

O advogado-adjunto Daniel Borges de Morais detém o maior volume acumulado de horas extras. Desde o início de 2023, o servidor recebeu R$ 428 mil apenas com esse adicional. Em dezembro de 2024, ele registrou um recorde: recebeu R$ 33,5 mil de horas extras em um único mês, valor superior ao seu próprio salário-base de R$ 33,3 mil.

Para justificar o pagamento daquele mês específico, Morais precisaria ter trabalhado todos os dias, incluindo feriados como o Natal. O diretor administrativo, Mauro Limeira Mena Barreto, também recebeu cifras elevadas: R$ 21,8 mil em março. O cálculo indica que ele teria de cumprir 35 horas de trabalho em cada fim de semana para alcançar o montante.

Ponto biométrico e jornada

A Câmara dos Deputados afirmou, em nota, que os servidores cumprem “jornada semanal extenuante” e que o registro de frequência ocorre via sistema biométrico. Segundo a Casa, o pagamento respeita a Lei 8.112/1990 e exige autorização prévia. O órgão sustenta que a presença dos diretores é necessária para manter o funcionamento da instituição além das 40 horas semanais ordinárias.

Os valores de horas extras ficam fora do abate-teto, o que permite que a remuneração final ultrapasse o limite constitucional imposto ao Estado. Os dados são públicos e constam no portal da transparência da Casa. A fiscalização desses pagamentos cabe à Comissão Permanente de Disciplina, cujo coordenador, Thiago de Matos Lauria, também recebeu R$ 22 mil em remunerações eventuais em dezembro passado.

*Fonte: Revista Oeste