Com pauta única, Câmara vota indicação para ministro do TCU

O candidato mais votado será encaminhado para sabatina e aprovação no Senado Federal; sete concorrem à vaga de substituto de Aroldo Cedraz

A Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira, 14, a votação para definir o parlamentar que será indicado ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A escolha ocorre em votação secreta e integra pauta única do plenário.

A vaga foi aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. O nome mais votado será encaminhado ao Senado Federal, onde passará por sabatina antes da eventual aprovação para ocupar a cadeira no TCU.

Sete deputados disputam a indicação, todos previamente aprovados pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que atestou o cumprimento dos requisitos legais para o cargo.

Deputados que disputam a vaga no TCU:

  • Danilo Forte (PP-CE);
  • Hugo Leal (PSD-RJ);
  • Elmar Nascimento (União-BA);
  • Gilson Daniel (Pode-ES);
  • Odair Cunha (PT-MG);
  • Soraya Santos (PL-RJ);
  • Adriana Ventura (Novo-SP).

Nos bastidores, a disputa envolve articulação política. O deputado Odair Cunha aparece como um dos nomes com apoio mais amplo, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de partidos da base governista.

O que faz um ministro do TCU

O TCU é responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos federais e analisar as contas do presidente da República. O órgão também atua no controle de contratos, programas e políticas públicas financiadas pela União.

O tribunal é composto por nove ministros, sendo seis indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República, e todos precisam passar por aprovação do Senado depois da indicação.

Requisitos para o cargo

Para assumir uma vaga no TCU, o indicado deve:

  • Ter entre 35 e 70 anos;
  • Possuir reputação ilibada e idoneidade moral;
  • Apresentar notório conhecimento técnico nas áreas jurídica, contábil, econômica ou administrativa;
  • Comprovar ao menos 10 anos de experiência profissional nessas áreas.
O TCU afirmou que as viagens se justificam pelo fato de o órgão presidir a Organização Internacional das Entidades Fiscalizadoras Superiores | Foto: DIvulgação/TCU
Fachada da sede do TCU na capital federal da República | Foto: DIvulgação/TCU

Debate na comissão

Durante a análise na Comissão de Finanças e Tributação, os candidatos foram questionados sobre temas centrais da atuação do tribunal, especialmente a fiscalização de emendas parlamentares e mecanismos de transparência.

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) levantou dúvidas sobre o uso do chamado “orçamento secreto” e possíveis conflitos de interesse, perguntando se os candidatos se declarariam impedidos de julgar recursos que tenham indicado.

A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) direcionou críticas ao deputado Odair Cunha, questionando sua atuação em comissões parlamentares de inquérito e sua relação com movimentos sociais.

Deputado Odair Cunha (PT-MG)
Deputado Odair Cunha (PT-MG) tem o apoio de Motta na eleição para a vaga no TCU | Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Em resposta, Odair Cunha afirmou que mudanças recentes já ampliaram a transparência das emendas e defendeu o fortalecimento da fiscalização sobre fundos privados: “Vou atuar como juiz, sem ser advogado de defesa ou de acusação de ninguém”.

INSS
Deputado federal Danilo Forte (União-CE) também tenta a vaga | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O deputado Danilo Forte destacou que sempre defendeu transparência na aplicação de recursos públicos e afirmou que passou a indicar emendas depois de decisão do Supremo Tribunal Federal para evitar prejuízos a municípios: “Onde tem dinheiro público, tem que ter transparência e fiscalização”.

Deputado Hugo Leal (PSD-RJ)
Deputado Hugo Leal (PSD-RJ) foi um dos sete parlamentares que teve seu nome aprovado para a disputa | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Deputado Hugo Leal ressaltou sua experiência como relator do Orçamento e defendeu o papel preventivo do TCU: “É pior buscar a corrupção depois do que evitar que ela ocorra”.

Elmar Nascimento
Elmar Nascimento (União Brasil-BA) chegou a tentar concorrer à presidência da Câmara, mas desistiu da candidatura | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Já Elmar Nascimento rejeitou o termo “orçamento secreto” e afirmou que as emendas são públicas e registradas: “O que menos estarei focado é em punir alguém, e sim em prevenir”.

Gilson Daniel
Deputado Gilson Daniel (Podemos-ES) também integra a disputa pela vaga aberta no TCU | Foto: Divulgação/Equipe Gilson Daniel

Gilson Daniel afirmou não ter utilizado emendas de relator (RP9) e defendeu critérios técnicos na indicação de recursos. Ele também citou o uso de tecnologia para aprimorar a fiscalização.

Deputada Soraya Santos (PL-RJ)
Deputada Soraya Santos (PL-RJ) é um dos nomes da ala conservadora para a vaga no tribunal | Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A deputada Soraya Santos defendeu as emendas como instrumento de desenvolvimento regional e destacou a necessidade de integração de dados para evitar falhas na fiscalização: “O verdadeiro controle não é cortar gastos, mas gastar melhor”.

Fundo eleitoral | A deputada Adriana Ventura, do Novo, é uma das que queriam a diminuição do valor do fundo eleitoral | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) é uma das únicas duas mulheres indicadas para concorrer à cadeira no TCU | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Por fim, Adriana Ventura criticou a falta de transparência em determinados modelos de emendas e afirmou que nunca utilizou esse mecanismo: “O dinheiro público precisa ser fiscalizado, não interessa de onde venha”.

*Fonte: Revista Oeste