CPI do Crime Organizado aponta indícios de exploração sexual em festas organizadas por Vorcaro

Relatório final indica suspeitas em eventos promovidos pelo empresário e sugere aprofundamento das investigações sobre possível rede de abusos

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) nesta terça-feira, 14, mostra indícios de exploração sexual em festas promovidas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. De acordo com o material, Vorcaro admitiu ter feito cerca de 300 eventos dessa natureza com autoridades.

“O próprio Vorcaro admitiu, em mensagens trocadas com sua então noiva, Martha Graeff, que as festas faziam parte de seu ‘business’”, diz trecho do relatório. “E que teria organizado cerca de 300 eventos desse tipo.”

O relatório final, que será votado nesta terça-feira, revela que esses indícios apareceram por meio da CPMI do INSS, que teve acesso a dados do celular do banqueiro. No conteúdo estavam vídeos, mensagens e documentos que comprovam o recrutamento de mulheres estrangeiras para os eventos.

“A CPMI do INSS, que também apurou aspectos do caso, obteve acesso a aproximadamente 400 gigabytes de arquivos extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro”, diz o texto. “Incluindo vídeos de teor íntimo, imagens de passaportes de mulheres estrangeiras — inclusive europeias — e registros de festas privadas em Brasília e em Trancoso.”

De acordo com o texto, “há, portanto, indícios de crimes relacionados a tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente considerando as condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas”.

Moraes, Toffoli e Gilmar em sessão no STF - 9/4/2026 | Foto: Foto: Antonio Augusto/STF
Moraes, Toffoli e Gilmar em sessão no STF – 9/4/2026 | Foto: Foto: Antonio Augusto/STF

Relatório final da CPI pede indiciamento de Moraes, Toffoli, Mendes e Gonet

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu o indiciamento, no relatório final dos trabalhos da comissão, dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, todos do Supremo Tribunal Federal, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Os ministros seriam indiciados no contexto da investigação acerca da fraude bilionária no Banco Master. Os nomes de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli apareceram logo no começo do escândalo.

O relatório destaca que as recomendações se baseiam em situações como suspeição em julgamentos, potenciais conflitos de interesse e decisões consideradas prejudiciais a investigações em curso. No caso de Paulo Gonet, a justificativa apresentada foi a omissão diante de sinais relevantes de irregularidades.

Segundo o relatório, os ministros e Gonet cometeram crimes de responsabilidade previstos na Lei n° 1.079/1950 por ações e omissões no caso Master. Essas condutas são passíveis de impeachment no Senado.

*Fonte: Revista Oeste