Postagem feita nesta quarta-feira, 29, utiliza termos da internet para promover programas sociais
O governo federal utilizou seus perfis oficiais nesta quarta-feira, 29, para divulgar um “dicionário” de gírias das gerações Z e Alpha. A publicação, que utiliza termos como “tankar”, “droppar” e “gag de la gag”, tenta traduzir programas sociais para o público jovem.
Na prática, a iniciativa reforça uma comunicação que ignora o tom institucional em favor de um estilo de “influenciador”. Essa estratégia busca o engajamento a qualquer custo. O governo adota uma espécie de “estética da favela”, mimetizando o funk e memes para parecer próximo do povo.
Gag de la gag, tankar, droppar… que papo é esse, meu Deus do céu? 😅
— Governo do Brasil (@govbr) April 29, 2026
Respira que o Gov explica: a gente trouxe gírias da geração Z e Alpha com exemplos práticos pra mostrar como as coisas funcionam na vida real. pic.twitter.com/7nQ0P49s0m
Além dessa publicação, outros exemplos recentes incluem o Zé Gotinha fazendo “passinho” em vielas e trilhas de funk com letras originalmente pornográficas para divulgar caravanas de serviços.
O Zé Gotinha já lançou o passinho, e você? 🕺💉💧
— Governo do Brasil (@govbr) April 17, 2026
A campanha de vacinação contra a influenza está on e vai até o dia 30 de maio. A meta é vacinar, pelo menos, 90% de cada um dos grupos prioritários de rotina contra influenza: crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais.
👇 pic.twitter.com/EHV2CvB5yf
A guinada para essa linguagem informal e, por vezes, caricata ganhou força sob o comando do marqueteiro Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação do governo. O mantra é “furar a bolha”, mesmo que isso signifique sacrificar o decoro. Para a atual gestão, a seriedade parece ser um obstáculo à viralização.
O custo da comunicação informal do governo Lula
No entanto, manter essa estrutura de entretenimento estatal custa caro. Apenas no primeiro semestre de 2025, os gastos com publicidade digital dispararam 110%, chegando a R$ 69 milhões. Desse valor, R$ 2 milhões foram parar no bolso de influenciadores selecionados para dar um verniz de “periferia” às ações governamentais.
A estratégia de Sidônio, porém, é excludente. Ao reduzir a identidade do país ao que “performa” bem nos algoritmos das metrópoles, o governo ignora a diversidade cultural de diversos lugares do país. Na prática, cria-se um “ranking cultural” onde a complexidade do Brasil é substituída por um padrão pensado apenas para gerar cliques rápidos.

Além disso, a insistência no uso dessa linguagem gera, muitas vezes, conteúdos inadequados. Um exemplo foi a publicação de um vídeo, em dezembro do ano passado, que mostrava adolescentes dançando uma coreografia sensual de uma música de funk. Depois da repercussão negativa, o governo apagou o post.
*Fonte: Revista Oeste