Galípolo nega interferência de Campos Neto em decisões sobre o Banco Master

Presidente do Banco Central também afirmou ao Senado que não fará da autarquia um ‘palanque político’

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, voltou a dizer nesta terça-feira, 19, que o ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto não teve nenhuma interferência em decisões relacionadas ao Banco Master dentro da autarquia.

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo afirmou que a presidência do BC, à época, adotou todos os procedimentos corretos, como o afastamento de servidores. A autoridade monetária também rejeitou tentativas de transformar o Banco em instrumento de disputa política.

“Eu não vou deixar o BC se transformar em qualquer tipo de palanque para política. Não cabe a mim perseguir ninguém”, declarou. Segundo ele, os processos internos da autoridade monetária precisam seguir regras de governança para evitar perseguições políticas ou pessoais. “A Justiça tem vendas por uma razão muito importante, para que o processo não tenha capa”, afirmou.

Galípolo defendeu o funcionamento do Comitê de Decisão de Termo de Compromisso (Coter), responsável por analisar acordos administrativos no âmbito do Banco Central. “Não há nada errado com a governança do Coter e não houve interferência no processo pelo presidente Campos Neto”, disse.

Segundo a autoridade monetária, a estrutura de governança da autarquia existe justamente para impedir o uso político de auditorias, sindicâncias e processos internos. Segundo ele, divergências técnicas não podem justificar constrangimentos a servidores ou perseguições dentro da instituição.

“É muito importante que a gente siga a governança do Banco Central, para que esses processos não sirvam amanhã de instrumento persecutório de um novo presidente pelo presidente anterior”, afirmou o executivo.

senador Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Defesa da governança

Galípolo explicou aos senadores que os termos de compromisso seguem regras previstas em lei e em resolução do próprio Banco Central. Segundo ele, a decisão sobre esses acordos cabe ao Coter, órgão colegiado independente da presidência da autarquia. “O processo não passa nem pela diretoria nem pela presidência”, afirmou.

O presidente do BC também ressaltou que Campos Neto já não ocupava cargo na instituição quando o termo de compromisso citado pelos parlamentares foi celebrado. Ele acrescentou que os servidores envolvidos na análise do caso não eram subordinados diretamente ao então presidente do Banco Central.

A audiência ocorre em meio à pressão de senadores por esclarecimentos sobre a atuação do Banco Central no Caso Master. O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que ainda existem dúvidas sobre a atuação da autoridade monetária diante das irregularidades identificadas na instituição financeira.

A participação de Galípolo no colegiado estava prevista inicialmente para 5 de maio, mas o senador adiou a audiência depois de o presidente do Banco Central sofrer um mal-estar.

*Fonte: Revista Oeste