Decisão foi anunciada em reunião entre autoridades dos 2 países em Pequim; certificação eletrônica para produtos cárneos começa no próximo mês
A China retirou a suspensão de três frigoríficos brasileiros autorizados a exportar carne bovina ao país asiático, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária nesta terça-feira, 20. A decisão foi anunciada durante reunião entre o ministro da Agricultura, André de Paula, e a ministra da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun, em Pequim.
As unidades reabilitadas são a Frisa Frigorífico Rio Doce, de Nanuque (MG), a Bon-Mart Frigorífico, de Presidente Prudente (SP), e uma planta da JBS em Mozarlândia (GO). Os estabelecimentos estavam impedidos de embarcar carne bovina para a China desde março de 2025.
A retomada das habilitações consta na plataforma de Registro de Empresas de Importação de Alimentos da China (Cifer), vinculada à GACC, com data de reativação em 19 de maio. Atualmente, 66 frigoríficos brasileiros estão autorizados a exportar carne bovina ao mercado chinês, segundo dados públicos do órgão chinês.
Durante a missão oficial brasileira, representantes dos dois governos também discutiram protocolos sanitários voltados à exportação de carne suína e miúdos suínos. As autoridades anunciaram ainda o início, no próximo mês, da certificação eletrônica para produtos cárneos.
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou a decisão como uma “importante conquista para o setor”. Segundo a entidade, a medida reforça “a confiança das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país”.
A associação afirmou que a reversão das suspensões ocorreu depois de negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura com o governo chinês nos últimos meses.
“A retomada das exportações dessas plantas reforça a solidez da relação comercial entre Brasil e China e demonstra a capacidade de diálogo, articulação e resposta técnica construída pelo Brasil junto ao principal destino da carne bovina brasileira no mercado internacional”, declarou a Abiec.

China suspendeu importações do Brasil, Argentina e Uruguai
As suspensões determinadas pela China em março atingiram frigoríficos do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Segundo documento divulgado pela GACC à época, auditorias remotas identificaram “não conformidades” relacionadas às exigências chinesas para manutenção do registro de exportadores habilitados. O órgão não detalhou quais irregularidades foram encontradas em cada unidade.
No encontro bilateral, André de Paula afirmou que o Brasil continuará atuando como fornecedor estratégico de alimentos ao mercado chinês. “O Brasil segue comprometido em atuar como fornecedor confiável de alimentos seguros, de alta qualidade e competitivos para a China, produzidos sob rigorosos padrões sanitários e ambientais”, disse o ministro.
Sun Meijun destacou o peso do comércio agroalimentar na relação entre os dois países. “O nosso comércio agroalimentar representa uma parcela importante do intercâmbio bilateral”, afirmou. “Em 2025, a China importou US$ 51,4 bilhões em produtos agrícolas do Brasil, o que corresponde a cerca de 50% do comércio total entre os dois países.”
*Fonte: Revista Oeste
