Quase 90% das universidades brasileiras perdem posições em ranking mundial

A análise considerou 21,2 mil instituições e destacou as 2 mil melhores

O desempenho das universidades brasileiras no ranking global do CWUR, divulgado nesta segunda-feira, 1º, apresentou queda significativa: 45 das 52 instituições nacionais perderam posições em relação ao ano anterior, o que demonstra um cenário de desafios para o ensino superior do país.

De acordo com o levantamento, apenas cinco universidades do Brasil conseguiram avançar no ranking e duas permaneceram estáveis, enquanto 87% das avaliadas tiveram desempenho inferior ao do ano passado. A análise considerou 21,2 mil instituições e destacou as 2 mil melhores.

Desempenho em pesquisa e critérios de avaliação

O CWUR atribuiu o recuo principalmente à piora no desempenho em pesquisa, pressionado pela concorrência de universidades estrangeiras bem financiadas. Dos quatro pilares avaliados, a pesquisa tem peso de 40% e envolve produção de artigos, publicações em periódicos de destaque, influência e citações.

Os outros critérios analisados são educação e empregabilidade, ambos com peso de 25%, que medem o sucesso acadêmico e profissional de ex-alunos, além da qualificação do corpo docente, responsável por 10% da pontuação, considerando premiações de professores.

No ranking de 2026, a USP (Universidade de São Paulo) ficou em 119º lugar, uma posição abaixo da do ano anterior, com recuos nos quesitos educação, quadro de professores e pesquisa. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) caiu 15 posições e chegou ao 346º lugar, enquanto a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desceu para 379º.

A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) manteve-se estável em 476º, já a Unesp (Universidade Estadual Paulista) ficou em 479º. Outras instituições brasileiras classificadas incluem a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em 508º; Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em 621º; e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), na 732ª posição.

Opinião do CWUR e impacto nacional

Nadim Mahassen, presidente do CWUR, avaliou que “o declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”. Ele ressaltou ainda que “as universidades brasileiras estão lutando para oferecer uma educação de alta qualidade, atrair e reter talentos e produzir pesquisa de qualidade em escala”.

“Este não é apenas um problema acadêmico, mas nacional, porque a erosão do sistema de ensino superior do Brasil prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro de longo prazo do país”.

Apesar das dificuldades, as instituições brasileiras seguem líderes na América Latina e Caribe, ocupando as dez primeiras colocações regionais e superando a Universidade Nacional Autônoma do México, que ficou em 287º lugar.

Panorama internacional do ranking

ranking global permanece dominado por universidades dos Estados Unidos, que garantiram oito das dez primeiras posições. Harvard ocupa a liderança pelo 15º ano seguido, seguida por MIT e Stanford, enquanto Cambridge e Oxford, do Reino Unido, aparecem em 4º e 5º lugares.

Na sequência do top dez internacional estão Princeton, Pensilvânia, Columbia, Yale e Chicago, todas norte-americanas. O ranking também evidenciou avanços das universidades chinesas, que, com 360 instituições, superam em número as norte-americanas, que somam 313.

As universidades da China cresceram por causa de investimentos contínuos, com subida de 98% delas no ranking e liderança de Tsinghua entre as chinesas, em 36º lugar. Mahassen destacou que “esse domínio é cada vez mais contestado nas posições inferiores da tabela, à medida que outras universidades — especialmente da China — estão se aproximando, enquanto potências acadêmicas tradicionais, como o Reino Unido, o Japão e a França, lutam para manter suas posições”.

*Fonte: Revista Oeste