Exportação de carne bovina bate recorde no 1º semestre, mas cota da China preocupa

Vendas somaram US$ 9,9 bilhões, alta de 33,4%; país asiático responde por 48,5% das receitas

O Brasil registrou o melhor 1º semestre da história para as exportações de carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As vendas somaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, alta de 33,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Em volume, os embarques chegaram a 1,811 milhão de toneladas. O crescimento foi de 7,3%, de acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafigo). Apesar do desempenho, a entidade avalia que o segundo semestre será mais desafiador.

O principal motivo é o esgotamento da cota de importação da China. O limite anual de 1,106 milhão de toneladas foi preenchido com os embarques realizados até junho. Em julho, as vendas para o país asiático foram interrompidas. Exportações acima da cota pagam sobretaxa de 55%.

China lidera compras, mas cota preocupa

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. As vendas para o país cresceram 50,3% no 1º semestre, para US$ 4,818 bilhões. Em volume, o avanço foi de 22,6%, com 774,7 mil toneladas.

O país asiático respondeu por 48,5% das receitas totais. Considerando apenas a carne in natura, a participação chegou a 53%.

A Abrafrigo estima que o Brasil poderá reduzir em cerca de US$ 4 bilhões as vendas para a China em 2026, na comparação com 2025 (US$ 8,845 bilhões). A entidade afirma, no entanto, que parte dessa queda pode ser compensada se os embarques forem retomados no fim do ano, com chegada das cargas à China apenas em janeiro de 2027, dentro da nova cota.

EUA e Chile ampliam compras

Os Estados Unidos, segundo maior comprador, aumentaram as importações em 14,76% no 1º semestre, para US$ 1,465 bilhão. Considerando apenas a carne in natura, as compras americanas cresceram 41%, para US$ 1,116 bilhão.

As perspectivas para o mercado americano seguem favoráveis. A carne bovina ficou de fora das novas tarifas impostas pelos EUA aos produtos brasileiros. O país também enfrenta baixa produção interna e preços elevados, o que favorece as importações.

O Chile, terceiro maior destino da carne in natura, elevou as compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões. O volume embarcado cresceu 20%, chegando a 70,3 mil toneladas.

União Europeia pode suspender compras em setembro

As compras da União Europeia cresceram 35,26% no 1º semestre, para US$ 482,65 milhões. O bloco, no entanto, pode suspender as importações a partir de setembro.

A exigência é que o Brasil comprove que não utiliza antimicrobianos para promover crescimento nos animais. O país ainda negocia com as autoridades europeias um modelo de certificação, mas não há resultados concretos até o momento.

Mercados alternativos

Outros países aumentaram as importações de carne bovina brasileira no 1º semestre:

  • Rússia: 62 mil toneladas (+34,5%) e US$ 283,8 milhões (+48,6%)
  • Hong Kong: US$ 227,15 milhões (+33,8%)
  • Arábia Saudita: US$ 192 milhões (+31,7%)
  • Egito: US$ 179,8 milhões (+32,2%)

O México, por outro lado, reduziu as compras em 8,13%, para US$ 253,8 milhões.

Segundo a Abrafrigo, 118 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira no 1º semestre. Outros 55 reduziram as aquisições.

*Fonte: Revista Oeste