Dark Horse: Mendonça autoriza investigação de repasses a filme sobre Bolsonaro

Decisão do ministro do STF atende a um pedido apresentado pela Polícia Federal

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira, 23, a abertura de um inquérito para investigar os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão do ministro do STF atende a um pedido apresentado pela Polícia Federal (PF). A Procuradoria-Geral da República também deu parecer favorável à abertura do inquérito.

A PF investigará o destino do repasse de recursos de Vorcaro. Filho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano, pediu apoio financeiro ao então dono do Master para viabilizar a produção do filme.

O valor de R$ 61 milhões para a cinebiografia de Bolsonaro foi noticiado, em maio deste ano, pelo site The Intercept Brasil, que divulgou mensagens de Flávio a Vorcaro. A PF pretende confirmar a quantia exata envolvida.

Um dos objetivos da investigação é apurar se o montante teria sido repassado em troca de algum favor prestado pelo senador ou por seu grupo político a Vorcaro. Em inúmeras declarações públicas sobre o caso, Flávio negou qualquer tipo de contrapartida e disse que se tratou apenas de um pedido de financiamento privado para um filme privado.

Mendonça é relator do caso

No mês passado, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, determinou que André Mendonça seria o relator do caso Dark Horse.

Uma das suspeitas da PF é que os recursos teriam bancado despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também filho do ex-presidente, nos Estados Unidos – onde vive desde fevereiro do ano passado. Eduardo também nega que isso tenha ocorrido.

O dinheiro teria sido transferido pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligação com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e cuja sede fica no Estado norte-americano do Texas. Em nota, Flávio afirmou que era “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo”.

*Fonte: Revista Oeste