Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (3), o deputado federal José Medeiros afirmou que continuará no Partido Liberal e seguirá alinhado politicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas criticou a ausência de diálogo com a base bolsonarista após o anúncio da aliança entre o Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para as eleições de 2026 em Mato Grosso.
“Nós merecíamos ser ouvidos. Os bolsonaristas mereciam ser ouvidos. Afinal, o voto que tem levado toda essa grandeza do PL tem sido o voto bolsonarista”, explica.
Segundo Medeiros, a discussão vai além da composição eleitoral e envolve a identidade política construída pelo partido nos últimos anos. “Nossa obrigação como bolsonarista é eleger quem tenha compromisso real e inabalável com a liberdade das pessoas. Quem tenha coragem de enfrentar o sistema e não abaixar a cabeça.”
O parlamentar também afirmou que permanecerá no partido, mas deixou claro que não concorda com a forma como a decisão foi tomada. “Quando a decisão veio de cima para baixo, sem um diálogo, a gente corre o risco de enfraquecer exatamente o que mais precisamos: unidade verdadeira.”
Ao final do pronunciamento, Medeiros reafirmou que continuará defendendo as mesmas pautas que marcaram sua trajetória política. “Eu continuo no PL. Continuo bolsonarista. Continuo na luta.”

Prefeitos do PL também reagiram
A manifestação de Medeiros não foi isolada.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não pretende dividir o mesmo palanque com lideranças do MDB que estiveram em lados opostos nas eleições municipais de 2024. Em manifestação pública, chegou a declarar que preferiria ser liberado da legenda ou até expulso do partido a apoiar a composição.

Na mesma linha, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), classificou a união como “total incoerência”. Segundo ele, o MDB foi adversário político do projeto representado pelo PL em diversas disputas municipais e estaduais, razão pela qual declarou não apoiar o projeto político liderado pelo partido em Mato Grosso.

Em Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti (PL) também descartou participar do mesmo palanque da deputada Janaína Riva. Moretti argumentou que enfrentou o MDB nas eleições municipais e relembrou episódios de embates políticos locais para justificar sua posição.

Direção nacional definiu composição
A aliança foi construída em Brasília durante reunião entre dirigentes nacionais do PL e do MDB.
Segundo informações divulgadas pelas lideranças partidárias, a composição contou com a participação da executiva nacional das duas siglas, responsável pela definição da estratégia eleitoral em Mato Grosso.
O debate ganha relevância porque a eleição de 2026 renovará dois terços das cadeiras do Senado Federal.
Nos últimos anos, Jair Bolsonaro declarou em diversas ocasiões que considera a formação de uma maioria no Senado estratégica para seu campo político, defendendo a eleição de parlamentares alinhados às suas pautas. Entre elas, apoiadores do ex-presidente destacam temas como mudanças na composição dos tribunais superiores, maior protagonismo do Legislativo na fiscalização dos demais Poderes e projetos relacionados à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Nesse contexto, José Medeiros afirmou que sua prioridade permanece voltada às bandeiras defendidas pelo ex-presidente. “Quero deixar claro. A minha linha continua sendo a linha do presidente Jair Bolsonaro. Sem desvio, sem rodeio.”
Também reiterou que seguirá defendendo a pauta da anistia, proposta por parte do campo político ligado ao ex-presidente. “Nós vamos continuar firmes, com a cabeça erguida e com o mesmo objetivo: lutar pela liberdade do presidente Jair Bolsonaro e dos presos políticos.”
As manifestações públicas de José Medeiros, Abilio Brunini, Cláudio Ferreira e Flávia Moretti evidenciam que a aliança entre PL e MDB, embora definida pela direção nacional, ainda enfrenta resistência significativa entre parte das lideranças estaduais do partido em Mato Grosso.
Enquanto a executiva nacional busca ampliar a coalizão eleitoral em Mato Grosso, integrantes da ala bolsonarista defendem maior participação da base na definição das estratégias políticas e afirmam que a unidade do grupo depende do diálogo entre suas lideranças e militância.