Dívida pública segue em 82,9% do PIB, pior resultado desde 2021

Segundo o BC, o setor público do país registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro

A dívida bruta do setor público do Brasil permanece elevada sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 29, pelo Banco Central (BC), o indicador seguiu em R$ 11,1 trilhões em setembro deste ano, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A Dívida Bruta do Governo Geral é o valor total de todas as contas que o governo precisa pagar. O índice soma as dívidas do governo federal, dos Estados e dos municípios com bancos, pessoas físicas e outros países, sem descontar o que a União tem guardado em dinheiro ou reservas.

Trata-se, em linhas gerais, de uma espécie de termômetro sobre a solvência do país — ou seja, sobre sua capacidade de honrar os compromissos financeiros. Quanto mais alto o índice, maior o risco de um eventual calote em uma conjuntura mais desfavorável no futuro.

Dívida disparou mais de 11 pontos no governo Lula

Os dados do BC mostram que a dívida pública brasileira vem escalando desde o início do terceiro mandato de Lula na Presidência da República, em janeiro de 2023.

Ao final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em dezembro de 2022, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. Ou seja, o avanço foi de 11,2 pontos porcentuais no período.

De acordo com o BC, também é o maior patamar da dívida pública do Brasil em relação ao PIB desde março de 2021, no auge da pandemia de covid-19.

O resultado já se aproxima do recorde histórico registrado pelo país, de 87,6% do PIB, em outubro de 2020, também durante a pandemia.

No acumulado deste ano, segundo os dados do BC, a dívida bruta brasileira subiu 6,1 pontos porcentuais.

Dívida líquida

Já a Dívida Líquida do Setor Público não financeiro chegou a 70% do PIB em setembro de 2026 (R$ 9,4 trilhões). No mês anterior, era de 69,3% (cerca de R$ 9,2 trilhões).

A Dívida Líquida do Setor Público é o valor total das obrigações financeiras do governo menos os seus créditos. O índice engloba os dados da União, de Estados, municípios, BC e empresas estatais e mostra o tamanho real do endividamento do país perante o setor privado e o exterior.

Déficit primário de R$ 5,5 bilhões

Ainda de acordo com o BC, o setor público consolidado do país registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, ante um déficit de R$ 17,5 bilhões do mesmo período de 2025.

O governo federal teve superávit de R$ 3,5 bilhões. Os governos estaduais, por sua vez, registraram déficit de R$ 5,6 bilhões. As empresas estatais tiveram déficit de R$ 3,4 bilhões.

O déficit primário acontece quando o governo gasta mais do que arrecada com impostos e taxas. Quando ocorre o contrário, há superávit.

*Fonte: Revista Oeste