Paraguai: Peña pede prazo de 72h para se defender de impeachment

Presidente, que renunciou ao cargo, enfrenta processo depois de crise no Ueno Bank, ligado a um grupo do qual foi acionista até 2025

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou ao Senado uma prorrogação de 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment aberto contra ele. O pedido ocorre em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank, instituição que deixou milhões de clientes sem acesso às contas.

O Senado retomaria o julgamento nesta sexta-feira, 6, às 10h. Na quinta-feira 5, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a acusação contra Peña. Embora tenha apresentado sua renúncia ao cargo, o presidente continua no exercício da função. O Congresso ainda não conseguiu analisar o pedido por falta de quórum.

Peña argumentou que recebeu a notificação do processo às 22h15 de quinta-feira. O documento reúne uma acusação de 15 páginas e cerca de 300 páginas de anexos. Para o presidente, menos de 12 horas não seriam suficientes para preparar uma defesa adequada, conforme as garantias do Estado democrático de direito.

Acusações contra Peña envolvem vínculos com banco

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Fachada iluminada do Ueno Bank, em Assunção, durante a noite; Banco Central do Paraguai decretou a intervenção na instituição financeira na terça-feira 3 | Foto: Divulgação/Ueno Bank

Na quinta-feira, o Senado ouviu sete deputados responsáveis por apresentar as denúncias. Entre as acusações está o suposto favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Peña manteve participação acionária no grupo até março de 2025.

Os parlamentares também apontam possível omissão na fiscalização do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que presidiu a autoridade monetária até recentemente, dirigiu o banco digital até 2023.

Outra acusação envolve a gestão de recursos públicos. O Ueno Bank concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos estatais, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pela aposentadoria e pela saúde dos trabalhadores paraguaios. A oposição também questiona uma suposta intervenção indevida no órgão.

A crise ganhou força depois que o Banco Central iniciou a liquidação do Ueno, depois de identificar problemas nos índices de solvência da instituição. A medida atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes e provocou forte reação política e social. As autoridades investigam possíveis irregularidades relacionadas à concessão de empréstimos e à administração do banco.

*Fonte: Revista Oeste