Nas redes sociais, moradores de Mimoso do Sul — um dos municípios mais afetados — disseram que a cidade ‘acabou’
Dezenove pessoas morreram e 7,6 mil tiveram de sair de suas casas desde o sábado 23, quando fortes chuvas começaram a atingir o sul do Espírito Santo. Enchentes, deslizamentos de terra e interdições de estradas foram registrados. As cidades mais afetadas são Mimoso do Sul, Vargem Alta, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Guaçuí, Muniz Freire e Jerônimo Monteiro.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia emitido um alerta vermelho para chuvas intensas na região, que faz divisa com o Estado do Rio de Janeiro. A previsão, divulgada na sexta-feira 22, era de chuvas superiores a 60 milímetros (mm) por hora (60 litros de água para cada metro quadrado) e maiores que 100 mm por dia.
Por meio de boletim, a Defesa Civil estadual afirmou que o volume de chuva em Mimoso do Sul chegou a 231,8 milímetros em intervalo de 24 horas. A força da água da chuva chegou a arrastar os carros que estavam estacionados no centro da cidade.
Falaram tanto de alerta de chuva no Rio de Janeiro mas esqueceram do Espírito Santo.
— Felipe Lima Neves (@Felipeln88) March 23, 2024
Mimoso do Sul, Alegre e Guaçui amanheceram debaixo d'água.#CHUVARJ #petropolis #mimosodosul pic.twitter.com/GHfB2I5TeZ
A cidade também ficou sem energia elétrica e sem abastecimento de água. O serviço de energia foi restabelecido no domingo 24, porém, segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a rede de água do município capixaba foi totalmente destruída.
Na noite de sábado, o prefeito de Mimoso do Sul, Peter Costa (Republicanos), publicou um vídeo e afirmou que sua família estava fazendo o possível para resgatar alguns dos moradores ilhados. Ele também relatou que, pela falta de recursos, ele não estava dando conta de atender a todos os cidadãos.
“Mimoso inteira está me ligando, dizendo que tem gente morrendo, que tem gente ilhada […] eu não sei mais o que fazer”, disse o prefeito, em vídeo. “Os bombeiros já estão nas ruas, meu pai está com o barco de motor tentando salvar algumas pessoas, mas todo mundo tem que ajudar, eu não estou dando conta”
Segundo informações publicadas no portal G1 Espírito Santo, o coordenador-adjunto estadual da Defesa Civil, o tenente-coronel Benicio Ferrari Junior informou que em Mimoso do Sul a água já está baixando. Isso permite que as equipes acessem mais áreas.
Ao longo do final de semana, o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), esteve presente em algumas das cidades mais afetadas e afirmou que todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas por sua gestão. Ele também disse que estará prestando auxílio à Prefeitura de Mimoso do Sul no processo de reconstrução e limpeza do município.
Moradores fazem relatos sobre as chuvas
Alguns dos moradores das regiões afetadas foram às redes sociais para falar sobre a situação nos municípios e das perdas materiais que tiveram. Um usuário do Twitter/X teve o escritório totalmente destruído pelos alagamentos em Mimoso do Sul.
mimoso do sul acabou, estado de calamidade total. não tem água, não tem luz, não tem internet, não tem comida. eu literalmente acabei de sair da fila de doação de suprimentos. graças a Deus minha casa não foi atingida mas temos poucos suprimentos. meu escritório acabou: pic.twitter.com/P2l8E1xwj6
— hbzão (@hbmofati) March 24, 2024
Outro morador publicou fotos da cidade submersa e afirmou que o município está em estado de “destruição total”.
essa é minha cidade mimoso do sul, debaixo d'água, completamente destruída, pelas fortes chuvas. destruição total! comércios totalmente destruídos, centenas de pessoas sem casas, sem água, comida e infelizmente até sem vida. pic.twitter.com/srEfqp7H5x
— cauã (@cau746) March 25, 2024
O perfil “Espírito Santo em Deprê” publicou imagens aéreas de Mimoso do Sul. Nelas, é possível visualizar algumas das residências e comércios que foram atingidos pela água.
Mimoso do sul está tudo alagado slc pic.twitter.com/1Zn9ndRUmF
— Espirito Santo em Depre – Jocimar Santos (@ESemDepressao) March 23, 2024
O número de afetados segue aumentando. Desde o início das chuvas, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec) do Espírito Santo está publicando informações atualizadas sobre mortos, desalojados e feridos via boletim extraordinário, que costuma ser atualizado de seis em seis horas.
O boletim mais recente foi publicado à 0h desta segunda-feira, 25.
Medidas do governo federal
No domingo 24, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) anunciou que enviou uma equipe para prestar apoio aos municípios atingidos pelas fortes chuvas.
De acordo com a pasta, os técnicos da Defesa Civil Nacional vão ajudar as prefeituras das cidades afetadas pelas fortes chuvas a fazerem os planos de trabalhos necessários para obter recursos do governo federal, seja para assistência humanitária, restabelecimento ou reconstrução.
As cidades são:
- Alfredo Chaves
- Apiacá
- Bom Jesus do Norte
- Vargem Alta
- Mimoso do Sul
- Ibitirama
- Muqui
- Muniz Freire
- Guaçuí
- Castelo
O ministério também afirmou que já solicitou a mobilização das Forças Armadas, via Ministério da Defesa, para apoio nas ações de socorro e assistência à população afetada.
Em publicação no Twitter/X, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que se “solidariza” com as famílias afetadas pela tragédia e que o governo federal está em “contato constante” com a administração estadual para auxiliar na reparação de danos causados por enchentes.
O sofrimento das famílias que perdem parentes, bens e suas casas em decorrência das chuvas fortes tocam o país. Tragédias que se intensificam com as mudanças climáticas. Estamos trabalhando desde o ano passado para fortalecer a Defesa Civil e assistência do governo federal em… https://t.co/lYIEoCHWKL
— Lula (@LulaOficial) March 23, 2024
Nas redes sociais, o governador Renato Casagrande também informou que Lula fez uma ligação no sábado 24, em que reafirmou o “apoio da gestão federal”. Até o momento, o governo federal não anunciou medidas de auxílio nem liberou recursos para a reconstrução de imóveis nos municípios atingidos pelas chuvas.
*Fonte: Revista Oeste