Julgamento de Bolsonaro paralisa votações na Câmara

Apenas as comissões com ampla maioria da oposição entre os membros estão em funcionamento

Parlamentares de oposição decidiram obstruir os trabalhos da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 25. A medida ocorre em protesto contra o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na P1ª Turma do Supremo Tribunal Federal.

Apenas as comissões com ampla maioria da oposição entre os membros estão em funcionamento.

O plenário só terá quórum para votar a ordem do dia depois do aval do líder da oposição na Casa, Luciano Zucco (PL-RS).

Uma exceção foi concedida para a tarde desta terça-feira, a pedido da bancada feminina. A previsão para o restante da semana é de obstrução.

Aval de Bolsonaro

O movimento, que conta com o apoio do ex-presidente Bolsonaro, também busca pressionar por anistia aos presos do 8 de janeiro.

Parlamentares que se reuniram com Bolsonaro, nesta manhã, afirmam que a decisão por obstruir os trabalhos foi tomada depois do encontro com o ex-presidente.

Fontes da oposição na Câmara, no entanto, afirmam que, a partir da próxima semana, a estratégia deve ser alterada, com novos convites e convocações de membros do governo.

Julgamento político?

Nesta terça-feira, apenas a Comissão de Segurança Pública da Câmara seguiu com as deliberações.

O presidente do colegiado, Paulo Bilynskyj (PL-SP), comentou a motivação da articulação pela paralisação dos trabalhos na Casa Baixa do Congresso.

Paulo Bilynskyj - Comissão de Segurança Pública da Câmara
Deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) é o mais novo presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara | Foto: Kaio Magalhães/Agência Câmara

“Hoje o Supremo Tribunal Federal pode dar um passo gravíssimo contra a democracia”, afirmou o deputado. “O julgamento de Jair Bolsonaro é simplesmente narrativa política que está sendo levada aos tribunais e que, se aceita, demonstra um grave ativismo judicial.”

Acordo com Lewandowski na Câmara

A intenção de manter o funcionamento do colegiado presidido por Bilynskyj foi desgastar o governo e aprovar o requerimento pela oitiva do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

O pedido de convocação de Lewandowski, que era o principal objetivo da oposição para o início desta semana, foi transformado em convite.

A oposição chegou a um acordo com o ministro, que se comprometeu a responder às interpelações dos deputados no dia 18 de abril.

*Fonte: Revista Oeste