A cabeleireira que pichou estátua com batom foi condenada a quatorze anos de prisão pela Corte, pouco antes de Jair Bolsonaro se tornar réu
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expressaram preocupações quanto ao julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. A informação é da revista Veja.
A análise do ocorreu no Plenário Virtual da 1ª Turma, no dia 21 de março, pouco antes do ex-presidente Jair Bolsonaro se tornar réu, por suposta tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito.
No voto, o relator Alexandre de Moraes condenou Débora a 14 anos de prisão e fixou uma multa de R$ 30 milhões por danos morais. Ele destacou sua participação nos atos do 8 de janeiro, quando Débora pichou com batom a estátua ‘A Justiça’.
Afirmou, ainda, que tal ato demonstrou desprezo pelas instituições republicanas e ocultação de provas da sua participação em atos que considera “golpistas”.
A decisão do STF, e a reação de apoiadores de Bolsonaro

A proximidade do julgamento de Débora e a denúncia contra Bolsonaro gerou críticas de apoiadores do ex-presidente. Os magistrados, conforme a reportagem de Veja, alegaram que isso favoreceu a “narrativa de vitimização de Bolsonaro” e “sugeriu perseguição judicial”. Débora, que pichou a estátua da Justiça, tornou-se um símbolo entre os acusados pelos atos do 8 de janeiro.
O ministro Luiz Fux, ao considerar as penas dos eventos possivelmente “exacerbadas”, pediu mais tempo para analisar o caso. Com isso, houve a concessão de prisão domiciliar à Débora, por parte de Alexandre de Moraes, sob o argumento de que ela já cumpriu cerca de 25% do tempo, o que permite a progressão de regime. Fora da prisão, ela deve usar tornozeleira eletrônica.
Durante uma sessão do STF, o ministro Fux destacou a necessidade de reflexão dos juízes sobre “erros e acertos” nas decisões, especialmente em casos sensíveis. A frase “Perdeu, mané”, escrita por Débora, permanece como um marco de sua atuação no episódio.
Entre 22 e 23 de abril, a 1ª Turma do STF julgará outros envolvidos em supostas tramas de golpe de Estado. Entre eles, estão o general Mário Fernandes e o ex-assessor Filipe Martins.
*Fonte: Revista Oeste