Ao STF, general Freire Gomes negou ter ameaçado o então presidente; à Corte, brigadeiro relatou o oposto do que declarou o militar
O brigadeiro Baptista Junior disse, nesta quarta-feira, 21, que o general Freire Gomes ameaçou dar voz de prisão ao então presidente Jair Bolsonaro, em 2022, em virtude de um suposto plano de golpe de Estado.
Na ocasião, Baptista Junior era comandante da Aeronáutica, enquanto Freire Gomes chefiava o Exército.
Durante audiência na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ser interpelado a respeito da possível intimidação, o brigadeiro respondeu ao procurador-geral da República: “Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Não falou essa frase com agressividade, mas colocou exatamente isso: ‘Se o senhor fizer isso, terei que te prender’”. De acordo com Baptista Junior, tudo ocorreu entre 1° e 14 de novembro.
No começo da semana, contudo, Freire Gomes negou que tenha realizado o ato. “A mídia até reportou aí que eu teria dado voz de prisão ao presidente, não aconteceu isso de forma alguma”, declarou o militar, na segunda-feira 20. “Acho que houve aí uma má interpretação, até quando nós conversamos em paralelo aí os comandantes.”
Baptista Junior implica Garnier

Ainda segundo o militar, o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, pôs as tropas à disposição de Bolsonaro. À época, Bolsonaro estaria considerando baixar uma Garantia da Lei e da Ordem, ou estado de defesa, ou estado de sítio.
“Em uma dessas reuniões, eu tenho uma visão muito passiva do almirante Garnier”, disse Baptista Junior. “Lembro que o ministro da Defesa, Paulo Sérgio, Freire Gomes e eu conversávamos mais, debatíamos mais, tentávamos demover o presidente. Em uma dessas reuniões, chegou o ponto em que ele falou que as tropas da Marinha estariam à disposição do presidente.”
*Fonte: Revista Oeste