Wajngarten sobre intimação: ‘Cortina de fumaça’ para ocultar problemas da delação de Cid

O ex-assessor de Bolsonaro virou alvo do STF por suposta tentativa de obstrução das investigações sobre ‘trama golpista’

Fábio Wajngarten, ex-advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamou de “cortina de fumaça” a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que ele e o advogado Paulo Costa Bueno sejam ouvidos pela Polícia Federal (PF) por possível tentativa de obstrução das investigações sobre o suposto “plano golpista”.

Na quarta-feira 25, Moraes deu cinco dias à PF para colher o depoimento dos advogados depois de receber um material entregue pela defesa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, que é delator no processo.

A ordem de Moraes se deu no âmbito de um inquérito aberto na semana passada para apurar se o coronel Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, e o seu advogado, Eduardo Kuntz, teriam tentado obstruir as investigações.

No material entregue a Moraes, a defesa de Cid disse que Kuntz e os advogados de Bolsonaro procuraram familiares de Mauro Cid com a intenção de entrar em contato com o militar.

Wajngarten disse que decisão não é surpresa

“Recebo com tranquilidade a notícia de que terei que prestar depoimento em inquérito policial”, escreveu Wajngarten em uma publicação no X. “A criminalização da advocacia é a cortina de fumaça para tentar ocultar a expressa falta de voluntariedade do réu delator Mauro Cid e a consequente nulidade da colaboração.”

Wajngarten também criticou a falta de transparência em relação à motivação da decisão de Moraes.

“Causa indignação e não surpresa que a decisão do ministro seja amplamente publicizada enquanto as razões que supostamente as motivam estejam em sigilo”, disse. “Tão logo tenha acesso aos autos do inquérito, que não seja através da imprensa, voltarei a me manifestar. Estarei, como sempre estive, ao lado da verdade e da Justiça.”

Moraes abriu inquérito depois de pedido de anulação da delação de Cid

Moraes determinou nova prisão de Câmara depois que o advogado do militar pediu a
anulação da delação de Mauro Cid com base em gravações de conversas que teria tido
com o tenente.

De acordo com Kuntz, a troca de mensagem se deu em 29 de janeiro de 2023 e do dia
1º ao dia 5 de março de 2024. Os contatos teriam ocorrido inicialmente via Instagram.
Posteriormente, teria ocorrido um encontro pessoal no dia 7 de março de 2024.

Para Moraes, o advogado teria tentado obter informações sigilosas da delação de Cid
para beneficiar Câmara, o que caracterizaria, em tese, obstrução de investigação.

Pelo relato do advogado, os contatos ocorreram antes da imposição das medidas
cautelares ao seu cliente.

*Fonte: Revista Oeste