Morre José Roberto Guzzo, o maior jornalista do Brasil (10/7/1943 – 2/8/2025)

Vítima de um infarto, morreu às 5h deste sábado, 2, o jornalista José Roberto Dias Guzzo. Aos 82 anos, J.R. Guzzo, como assinava os textos que publicou, era paulista da capital e consagrou-se quando, ocupando o cargo de diretor de redação da Veja, comandou o crescimento da revista que alcançaria a terceira tiragem do mundo.

De acordo com a família, o jornalista e colunista já sofria de problemas crônicos coronários, pulmonares e dos rins. O velório será realizado no Cemitério de Congonhas, em São Paulo, a partir das 15h30 deste sábado, e o sepultamento será às 10h30 de domingo, 3.

Guzzo era colunista do Estadão desde 2019. Ele estava trabalhando normalmente nos últimos dias e nesta sexta havia mandado para o veículo de comunicação sua coluna que seria publicada neste sábado no portal (e no domingo no jornal impresso).

No texto, o jornalista opina que “o governo brasileiro decidiu que [o ministro Alexandre de] Moraes, cujas decisões e conduta são o verdadeiro motivo pelo qual os americanos adotaram as sanções, está acima das obrigações humanas, como os arcanjos e os profetas. O Brasil é o ministro. O ministro é o Brasil”.

Guzzo escreveu colunas para o Estadão seguindo esse tom: crítico ao governo Lula e à atuação do STF.

O jornalista é fundador da revista Oeste, autodefinida como uma revista conservadora “na sua visão da política, da vida e da sociedade”. “Ser conservador, em nosso entendimento, é defender claramente que as coisas boas sejam conservadas”, escreveu o próprio Guzzo, ao definir o compromisso da Oeste com o leitor. A primeira edição da Oeste foi publicada em março de 2020.

Carreira

Guzzo iniciou sua carreira como repórter do jornal Última Hora de São Paulo, em 1961. Cinco anos depois, foi trabalhar no Jornal da Tarde, que acabara de ser lançado pelo Grupo Estado, do qual foi correspondente em Paris.

Foi na Editora Abril, porém, que Guzzo trabalhou a maior parte da carreira. Em 1968, fez parte da equipe fundadora da Veja, como editor de Internacional, e depois foi correspondente em Nova York. Cobriu a guerra do Vietnã e acompanhou a visita pioneira do então presidente americano, Richard Nixon, à China, em 1972. Foi o único jornalista brasileiro presente ao encontro de Nixon com o líder chinês Mao Tsé-Tung.

Ricardo Fisher, Victor Civita e J. R. Guzzo em 1982 Foto: Paulo Salomão/Editora Abril

Em 1976, aos 32 anos, Guzzo assumiu a direção da Veja, que ocupou até 1991. Neste período, a publicação saiu do vermelho e sua circulação passou de 175 mil exemplares para quase 1 milhão, o que a levou ao quarto lugar no ranking das maiores revistas semanais de informação do mundo, atrás apenas das americanas Time e Newsweek e da alemã Der Spiegel. Por sua habilidade de transformar um texto enfadonho em algo agradável de ler apenas com retoques pontuais, ganhou o apelido de “mão peluda” na redação.

Em 1988, passou a acumular a direção da Veja com o cargo de diretor-geral da Exame, encarregado de reinventar a revista. Deixou a Veja em 1991, encerrando um ciclo na revista. Depois de um ano sabático, voltou à ativa, dedicando-se exclusivamente à Exame, primeiro como diretor editorial e depois como publisher. Nos 11 anos em que esteve à frente da revista, transformou-a na publicação mais rentável, em termos relativos, da Abril.

*Fonte: Estadão