Criminosos deixam 18 mortos em dois atentados na Colômbia

País é sede de encontro de presidentes da região; Lula chegou a Bogotá nesta quinta-feira, 22

Dois atentados deixaram 18 mortos e dezenas de feridos na Colômbia nesta quinta-feira, 21, véspera do cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reúne chefes de Estado da região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na Colômbia.

Os ataques foram registrados em Cali e Amalfi e são considerados os piores da última década.

Na tarde de quinta-feira, um caminhão repleto de explosivos explodiu em uma movimentada via de Cali, terceira maior cidade da Colômbia, atingindo uma escola de aviação militar. A explosão deixou seis mortos e mais de 60 pessoas feridas, conforme informou a Defensoria do Povo. Com a crise, autoridades municipais decidiram colocar tropas nas ruas e prenderam dois possíveis autores.

Helicóptero abatido com drone

Na manhã de quinta, uma facção dissidente das Farc, chamada Estado Maior de Blocos e Frente (EMBF), atacou um grupo policial envolvido em ações antidrogas em Amalfi, Departamento de Antioquia. Armados com fuzis e um drone, os criminosos derrubaram um helicóptero e provocaram confronto armado, causando 12 mortes. Ao menos oito policiais morreram.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o helicóptero sendo atingido, seguido de queda e fumaça densa no local.

Outras imagens registram o helicóptero em chamas.

Também há imagens do caminhão incendiado.

Além de Lula e do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, representantes de Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela são esperados para o evento nesta sexta-feira, 22.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, atribuiu os ataques à principal dissidência das Farc, o Estado-Maior Central (EMC), ao qual é vinculado o EMBF, liderado por Iván Mordisco. Ele afirmou que a ação violenta está ligada à disputa territorial e ao tráfico de cocaína, que abastece mercados dos Estados Unidos e da Europa.

Com 2,2 milhões de habitantes, Cali é considerada estratégica para os grupos armados que disputam o controle do narcotráfico. O conflito armado se intensificou a um ano das eleições presidenciais, agravado pela morte do candidato da direita Miguel Uribe, que morreu em 11 de agosto, depois de sofrer um atentado em junho.

O governo Petro e o narcotráfico na Colômbia

Desde 2022, Petro, primeiro presidente de esquerda do país, busca negociar com grupos armados. O único avanço significativo é com o Clã do Golfo, em negociações mediadas pelo Qatar.

Enquanto o esquerdista negocia com os narcotraficantes, o tráfico aumenta. Em 2023, o cultivo de folha de coca bateu recorde na Colômbia, com 253 mil hectares de plantações. O governo Petro aposta em incentivos econômicos para que agricultores aceitem erradicar os cultivos de forma voluntária, mas, até agora, o resultado foi o contrário do prometido.

*Fonte: Revista Oeste