Chanceler Friedrich Merz afirmou que o modelo atual ultrapassou a capacidade financeira do país
O futuro do Estado de bem-estar social alemão entrou em debate depois de declarações do chanceler federal, Friedrich Merz, que afirmou que o modelo atual ultrapassou a capacidade financeira do país. Durante um evento da União Democrata Cristã (CDU) no sábado 23, Merz rejeitou a ideia de aumentar impostos para empresas de médio porte como solução para custear os benefícios sociais na Alemanha.
O líder da CDU destacou que não pretende ceder às críticas sobre possíveis cortes sociais. “Não vou me deixar irritar por palavras como desmonte social e devastação”, disse Merz. Ele defendeu a ideia de que o Estado já não suporta financeiramente o sistema vigente, que inclui saúde pública, aposentadorias e auxílio a desempregados. Impostos sobre a renda dos trabalhadores majoritariamente sustentam todos esses serviços e ajudas.
Conflito de propostas na Alemanha

As propostas de Merz criam divergências com o Partido Social Democrata (SPD), parceiro necessário no Parlamento, mas contrário à redução de benefícios sociais. Enquanto ambos os partidos reconhecem a necessidade de reformar o sistema de seguridade social diante do déficit fiscal, o SPD sugere que a saída seria elevar tributos sobre os mais ricos e sobre o patrimônio.
Merz reconheceu que o SPD, que tem posição mais à esquerda e vem perdendo apoio popular desde que entrou no governo, encontrará dificuldades para aceitar cortes na área social. Ainda assim, pediu uma atuação conjunta para enfrentar o desafio. “O SPD terá dificuldades, mas precisamos trabalhar juntos”, afirmou.
O chanceler também ressaltou que não haverá “nenhum aumento” de impostos para empresas de médio porte, apesar da disposição de parte dos social-democratas em discutir mais taxação. Segundo Merz, a prioridade é manter uma postura crítica à migração e favorável à indústria, para garantir competitividade para o país. “E, acima de tudo, para podermos mostrar que a Alemanha é governada com sucesso pelo centro”, disse.
*Fonte: Revista Oeste