Maurício Demétrio, preso desde 2021, foi demitido da Polícia Civil no fim do ano passado, mas ainda terá direito a indenização
O ex-delegado Maurício Demétrio Afonso Alves vai receber R$ 517 mil do governo do Rio de Janeiro por férias acumuladas, que ele não chegou a tirar. Ele está preso desde junho de 2021 por chefiar a cobrança de propina de lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana.
Demétrio foi condenado a mais de nove anos de prisão por obstrução de Justiça, organização criminosa, lavagem de capitais, laudo falso e inserção de dados falsos em sistema. Ele atuou por mais de 20 anos na Polícia Civil do RJ.
Quem assinou o despacho sobre a indenização foi o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi. A publicação não informa o período das férias. No fim de 2024, porém, a instituição demitiu Demétrio por decreto do governador Cláudio Castro (PL).
Polícia Civil reconhece direito de Maurício Demétrio ao pagamento
Em nota, a corporação afirmou que a decisão “corresponde a um reconhecimento do direito de pagamento por período trabalhado pelo ex-servidor antes dos fatos que ensejaram sua demissão”. Segundo a instituição, a indenização contempla três meses de licença-prêmio, nove meses de férias e três pagamentos de terço constitucional.
A nota informa que ainda não há data para a transferência. “Antes do pagamento, a Polícia Civil enviará um ofício para o juiz responsável pelo processo consultando sobre qualquer impedimento para o depósito”, diz.
A condenação partiu da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro. O juiz Bruno Monteiro Rulière afirmou que o desvio de finalidade das operações foi “o ponto central”. Segundo o magistrado, “os crimes são gravíssimos e foram praticados justamente valendo-se da função pública que exerce e da estrutura que a Polícia Civil lhe confere”.
Vida de luxo e apreensões
A prisão de Demétrio ocorreu no âmbito da Operação Carta de Corso, do Ministério Público. Agentes apreenderam R$ 240 mil em espécie, 13 celulares, três carros blindados de luxo e joias em sua casa na Barra da Tijuca.
Com a análise de três aparelhos, os promotores descobriram que o policial ostentava riqueza incompatível com a renda. Ele contratava seguranças para viagens, fazia constantes viagens internacionais em classe executiva pagas em espécie, se hospedava em hotéis de luxo e alugava mansões e carros de alto padrão no Brasil e no exterior.
*Fonte: Revista Oeste