EUA colocam Brasil e África do Sul em lista de observação por tráfico humano

Relatório mostra queda nos esforços brasileiros e falhas no combate sul-africano

O Brasil e a África do Sul entraram na “lista de observação” de tráfico humano do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A medida foi anunciada no relatório anual Trafficking in Persons, que acompanha as ações globais contra o trabalho forçado e a exploração sexual.

A publicação do relatório ocorreu nesta segunda-feira, 29. Ele transfere o Brasil para a “Lista de Vigilância Nível 2”. Segundo o texto do documento, o governo brasileiro reduziu o número de investigações e processos sobre tráfico humano em relação a anos anteriores, o que demonstra, portanto, falta de avanços no combate ao problema.

No caso sul-africano, por outro lado, o relatório reconhece medidas positivas, mas afirma que há limitações. “Esforços significativos incluíram o lançamento da primeira força-tarefa subprovincial do país e a condenação de mais traficantes”, diz o texto. “No entanto, o governo identificou menos vítimas, investigou menos casos e iniciou menos processos.”

Marco Rubio: “O tráfico humano é um crime devastador”

Em publicação no X, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o tráfico humano é “é um crime devastador que enriquece organizações criminosas transnacionais e regimes imorais e antiamericanos”. Além disso, ele afirmou que o relatório “promove a responsabilização, protege os trabalhadores americanos e defende nossas comunidades.”

A divulgação ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e EUA. Depois da aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, os dois países têm mantido atritos.

Na abertura da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump trocaram críticas.

Na ocasião, Lula declarou que “o Brasil não aceitará sanções arbitrárias nem ingerências externas” e que ataques à independência do Judiciário são “inaceitáveis”. Trump, por outro lado, afirmou que as tarifas contra o Brasil resultam de tentativas de “interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos norte-americanos e outros”.

*Fonte: Revista Oeste