Ex-secretário do Consumidor culpa Ministério da Agricultura por falha ao fiscalizar bebidas

Ele considera que os fornecedores também têm responsabilidade em caso de venda de produtos falsificados

O ex-Secretário Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (2017 – 2018), Arthur Rollo, afirmou que a falta de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária, em relação à falsificação de bebidas, tem sido uma das principais causas do problema.

“Cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária regular e fiscalizar a produção e a comercialização das bebidas destiladas no Brasil”, afirmou o advogado, especialista em Direito do Consumidor e ex-presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria. “Bebidas importadas são fiscalizadas pela Receita Federal e também devem ter registro no Ministério da Agricultura.”

Ele ressalta que a situação tem sido uma constante no Brasil.

“Por absoluta falta de fiscalização desses órgãos, bebidas destiladas piratas têm sido comercializadas clandestinamente, de porta em porta, sem a emissão de notas fiscais e sem a rastreabilidade, que previne danos à vida, à saúde e à segurança dos consumidores e que, nos casos de danos, possibilita a responsabilização daqueles que as comercializaram.”

A partir da esfera federal, segundo ele, a falha de fiscalização segue uma sequência.

“[A pirataria} significa, mais uma vez, a ineficiência do Estado, nas suas diferentes esferas, na fiscalização preventiva, para prevenir danos à vida, à saúde e à segurança dos consumidores.”

Ele alerta inclusive para a possibilidade de produções clandestinas e falsificação de bebidas destiladas, a partir de garrafas vazias originais das próprias marcas falsificadas, podem ainda estar nas casas dos consumidores e nas prateleiras de bares e restaurante. Ele ressalta que o momento exige um verdadeiro mutirão na interceptação e na busca destes produtos.

“Sugerimos uma parceria imediata dos produtores das marcas falsificadas com as associações de bares e restaurantes, para distinguir imediatamente as bebidas falsificadas daquelas de boa qualidade.”

Para ele, os próprios fornecedores precisam ter consciência de sua responsabilidade.

“A responsabilidade dos fornecedores que servem essas bebidas é objetiva, nos casos de danos à saúde dos consumidores”, ressalta o jurista. “Quem serve bebida falsificada responde, independentemente da existência de culpa, pelos danos à saúde dos consumidores.”

Reunião sobre bebidas inclui o Ministério da Agricultura

Rollo considera que esta situação, teoricamente, seria um caso de recall. Mas, segundo ele, a dificuldade de identificação dos produtos impróprios ao consumo inviabiliza que os consumidores e os bares e restaurantes retirem de circulação esses produtos e busquem ressarcimento financeiro perante aqueles que os comercializaram.

Segundo o governo federal, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), coordenou reunião com diferentes órgãos do governo para definir medidas imediatas.

Participaram representantes do Ministério da Saúde, que, na nota, relata que acompanha a situação junto ao Estado de São Paulo. Também o Ministério da Agricultura e Pecuária tinha representante, e, no comunicado, declarou que levanta informações para definir medidas e avaliar possíveis ações de fiscalização.

*Fonte: Revista Oeste