O grupo terrorista enviou resposta sobre o plano elaborado pelos EUA e já aceito por Israel; a libertação dos sequestrados, porém, não é suficiente para concluir que a proposta foi aprovada
O grupo terrorista Hamas declarou nesta sexta-feira, 3, que concorda com a libertação dos reféns, capturados nos ataques de 7 de outubro. A resposta é para uma das exigências, incluídas no plano dos Estados Unidos (EUA) para um cessar-fogo em Gaza, já aceito por Israel.
O presidente Donald Trump havia dado um ultimato para que o grupo respondesse à proposta até o próximo domingo 5. Caso contrário, afirmou que o grupo iria “enfrentar o inferno.”

Apesar da concordância em libertar os reféns, ainda não foram divulgados os posicionamentos do Hamas em relação às outras exigências. O grupo entregou sua resposta a mediadores ligados aos EUA.
A libertação dos sequestrados, porém, ainda não é suficiente para concluir que a proposta foi aceita. Dos 251 reféns, cerca de 50 ainda estão sob controle dos terroristas.
O plano apresentado por Donald Trump tem 20 pontos. Foi elaborado com a orientação de assessores para a região, liderados por Steve Witkoff e Jared Kushner. Entre os itens, estabelece como pontos centrais um cessar-fogo permanente e a libertação de todos os reféns ainda mantidos pelo Hamas, vivos ou mortos.
Em contrapartida, Israel se comprometeria a libertar presos palestinos e a devolver restos mortais de habitantes de Gaza.
Está previsto ainda que o enclave não será anexado por Israel e que o Hamas não terá participação em seu futuro governo. Combatentes do grupo que aceitarem se render e abandonar as armas receberiam anistia. Outra medida incluída é a retirada gradual das forças israelenses, acompanhada da desmilitarização completa do território.
De acordo com o documento, Gaza deve se tornar uma área livre de grupos radicais, eliminando o terrorismo e sem representar ameaça para seus vizinhos.
O texto também promete a reconstrução do território em benefício de sua população, que não seria retirada.
Reféns do Hamas seriam trocados por prisioneiros
Caso haja acordo entre as partes, a guerra seria encerrada de imediato, as tropas israelenses recuariam para posições definidas e cessariam os ataques aéreos e de artilharia, até que fosse possível completar a retirada.
A devolução de reféns, vivos ou mortos, deveria ocorrer em até 72 horas após a aceitação pública da proposta por Israel.
Com a entrega concluída, o governo israelense liberaria 250 prisioneiros condenados à prisão perpétua e outros 1,7 mil detidos depois de 7 de outubro de 2023, incluindo mulheres e crianças. Para cada corpo de refém israelense restituído, seriam entregues 15 corpos de palestinos.
Também está prevista a entrada imediata de ajuda humanitária em larga escala, com fornecimento de água, energia, serviços de saúde e reabertura de estradas. Essa distribuição seria coordenada pelas Nações Unidas, pelo Crescente Vermelho e por outras instituições internacionais, sem interferência das partes envolvidas.
No aspecto político, Gaza passaria a ser administrada por um comitê de especialistas palestinos e técnicos internacionais, de caráter temporário e apolítico, encarregado da gestão dos serviços públicos.
Esse comitê funcionaria sob a supervisão de um novo órgão internacional de transição, chamado Conselho da Paz, que teria Donald Trump como presidente e incluiria outros líderes, entre eles o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O objetivo desta estrutura seria o de organizar os recursos para a reconstrução do território até que a Autoridade Palestina completasse suas reformas e reassumisse o controle.
O plano também inclui um projeto de desenvolvimento econômico para revitalizar Gaza. O modelo é inspirado em experiências de cidades modernas do Oriente Médio, como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A atração de investimentos internacionais, a criação de empregos e a oferta de novas perspectivas à população são as diretrizes básicas.
*Fonte: Revista Oeste