No dia em que completou 80 anos, presidente do Brasil disse que norte-americano se baseou em informações equivocadas para impor as tarifas
No dia em que completou 80 anos, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Malásia, falou com otimismo sobre a conversa que teve horas antes com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.
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“Tive uma boa impressão de que logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil”, disse o presidente, nesta segunda-feira, 27.
“Ainda não houve acordo, mas tenho a impressão otimista de que ele vai ser selado o mais rápido possível.”
Lula disse que entregou por escrito todas as suas posições a respeito dos fatores que, segundo ele, levaram os dois países a terem divergências nos últimos meses.
Para o presidente, Trump recebeu informações equivocadas para impor as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, inclusive a de que o Brasil tem superávit comercial com os EUA.
Lula relembrou as etapas até esse encontro, dizendo que “era na Malásia que a gente tinha que se encontrar para que eu pudesse olhar nos olhos dele e dizer o que eu penso e ele dizer o que pensa”.
Lula ressaltou que, na conversa, disse ao presidente Trump que as diferenças ideológicas entre ambos não deveria pesar e que isso “não impede que dois chefes de Estado tratem a relação entre os Estados com muito respeito.”
O presidente brasileiro, em tom de reprimenda, chamou atenção dos negociadores do país para a necessidade de ampliar a procura por negócios na Malásia, país que ele visitou pela primeira vez, e na Indonésia.
Lula mencionou ainda que, no documento entregue a Trump, colocou sua contrariedade em relação à punição de ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil, com a Lei Magnitsky.
“Disse para ele que era inadmissível a punição de ministro da Suprema Corte por causa da votação que houve no processo do 8 de janeiro”, afirmou Lula, lembrando que, segundo ele, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, foi feito de maneira séria e que o ex-presidente teve direito de defesa.
Lula e a Venezuela
Sobre a questão da Venezuela, Lula também confirmou que se colocou à disposição para ser o mediador entre EUA e o governo do ditador Nicolás Maduro.
“Conheço e sei o que acontece na Venezuela e acho que o assunto tem que ser resolvido em uma mesa de negociação”, disse. “O Brasil tem interesse em que não haja guerra na América do Sul.”
Antes da fala do presidente, os membros da delegação brasileira confirmaram que se reuniram com representantes norte-americanos, nesta segunda-feira, para iniciar a negociação sobre as tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros.
“Na reunião, concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes nas próximas semanas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
*Fonte: Revista Oeste