MP do Rio denuncia uso de drones com explosivos pelo CV

Enquanto isso, governo autoriza transferência de 10 líderes da facção para presídios federais, com decisões judiciais pendentes; entenda

Planos do governador Cláudio Castro para transferir dez líderes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais ganharam destaque depois que o Ministério Público do Rio de Janeiro acusou Rian Tavares Mota, ex-cabo da Marinha, de operar drones com explosivos contra rivais.

Segundo a Promotoria, Rian teria utilizado sua experiência técnica para acoplar granadas aos drones e lançá-las em áreas controladas por facções rivais no Rio de Janeiro. A ação, que tramita sob segredo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sugere que Rian seria o parceiro de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, foragido e alvo principal da Operação Contenção, da qual escapou.

De acordo com trechos do processo, obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, o grupo liderado por Edgar e coordenado por Rian lançou ataques com drones com o objetivo de invadir territórios dominados por outras facções e ampliar o poder do Comando Vermelho.

A megaoperação policial, que envolveu 2,5 mil agentes, resultou em 121 mortes, 113 prisões e teve a tática dos drones como obstáculo à ação das forças de segurança. Rian está preso desde o ano passado e aguarda julgamento.

Transferência de líderes do CV para presídios federais

Vista de carro incinerado por traficantes para tentar impedir o acesso de policiais no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, no dia 28 de outubro de 2025 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

O governo federal autorizou, na semana passada, a transferência de dez detentos identificados como líderes do Comando Vermelho para penitenciárias federais, das quais sete já foram confirmadas. A decisão sobre Rian, Leonardo Farinazo e Wagner Teixeira Carlos ainda depende da Justiça. Entre os dez, o caso de Rian é o mais recente; os demais possuem histórico criminal desde 2005, incluindo tráfico, homicídio e lavagem de dinheiro.

Alexander de Jesus Carlos já foi condenado por tráfico e associação criminosa, progrediu para regime aberto. Contudo, foi novamente detido, acusado de ordenar o assassinato de um policial militar. O advogado Daniel Sanchez Borges afirmou que “é forçoso concluir que Alexander é injustamente apontado como responsável por atos alheios à sua vontade e domínio”.

A defesa também argumentou que Alexander foi expulso do Comando Vermelho e, ao cumprir pena no Terceiro Comando Puro, teve a vida colocada em risco, e, por isso, a transferência seria injustificada.

Arnaldo da Silva Dias, condenado em dezembro do ano passado pelo homicídio de um integrante do Comando Vermelho que teria colaborado com autoridades, ordenou o crime de dentro do presídio. Sua defesa não foi localizada. Dias desistiu de recorrer da condenação, conforme decisão homologada pela Justiça.

Carlos Vinícius Lírio da Silva, um dos chefes do CV em Niterói, foi integrante do Terceiro Comando Puro antes de se unir ao Comando Vermelho, em 2018. Entre suas condenações, consta o assassinato de um policial civil, em 2005. Ele soma mais de 60 anos de pena por crimes variados, incluindo motim em presídio. Lírio tenta progressão de regime, negada pelo Tribunal de Justiça em fevereiro.

Defesas e questionamentos jurídicos

O Ministério Público acusa Eliezer Miranda Joaquim de liderar o Comando Vermelho em Belford Roxo. Ele tem condenações por homicídio, tentativa de homicídio, associação para o tráfico e formação de milícia.

Dois homicídios aconteceram por engano, quando disparos atingiram pessoas não envolvidas. O advogado Ércio Quaresma alegou que os processos são antigos e não há provas do vínculo de Eliezer com a facção, atribuindo o pedido de transferência a uma estratégia política do governador Cláudio Castro.

Fabrício de Melo de Jesus é considerado chefe do CV em Volta Redonda, com antecedentes por tráfico, porte ilegal de arma, homicídio e associação criminosa.

Leonardo Farinazo Pampuri, líder do CV na Fazendinha, no Complexo do Alemão, foi condenado por tráfico, associação criminosa e resistência armada. Ele teria tentado impedir abordagem policial e atirado contra agentes.

Marco Antônio Pereira Firmino cumpre pena por tráfico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Sua defesa afirmou: “A última condenação dele é de 2011 —ou seja, há mais 14 anos — e que não há nos autos nenhum elemento concreto que justifique sua inclusão em presídio federal”, segundo a Folha de S.Paulo.

Roberto de Souza Brito, chefe do CV nos complexos do Alemão e Jacarezinho, continuou liderando de dentro da prisão, conforme apuração penitenciária. Ele está preso preventivamente por tráfico e por ser acusado de orquestrar a morte de um detento, já condenado por um júri.

Wagner Teixeira Carlos, identificado como chefe do tráfico na Favela do Lixo, responde por ser mentor do homicídio de Clemir de Souza Brito em disputa territorial no Rio. Teve condenação anulada em setembro deste ano e a defesa sustenta que não há provas e confia na absolvição do cliente.

*Fonte: Revista Oeste