Polícia liga postos do PCC a fraude com combustíveis no Nordeste

Polícia do Piauí encontrou receitas de adulteração de combustíveis com padrão técnico profissional

Uma investigação da Polícia Civil do Piauí identificou o uso de fórmulas químicas complexas em um esquema de adulteração de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As receitas, apreendidas em celulares de investigados, mostram cálculos detalhados, tipos de insumos e parâmetros técnicos capazes de driblar testes oficiais de qualidade. A apuração é do jornal O Estado de S. Paulo.

A Operação Carbono Oculto 86 descobriu o material ao investigar uma rede de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, é a primeira vez que se comprova a ligação direta entre o braço financeiro do PCC e esse ramo de atividade.

PCC criou misturas para burlar testes

De acordo com o Estadão, as anotações detalham combinações de derivados e de etanol formuladas para simular a composição da gasolina automotiva. Uma das fórmulas modificava a proporção entre álcool e gasolina e ultrapassava os limites fixados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelaram que parte dessas composições tinha aparência idêntica à do combustível regular. Eles também concluíram que as misturas poderiam passar em testes de campo e na chamada “prova da proveta”.

Os investigadores identificaram que o grupo usava insumos baratos e aditivos sem identificação para ampliar o lucro, além de recorrer a empresas de fachada e fintechs para movimentar o dinheiro ilegal. O secretário de Segurança do Piauí, Chico Lucas, afirmou que o caso reforça a necessidade de atacar o financiamento das facções, não apenas suas ações violentas.

A rede suspeita mantinha dezenas de postos no Piauí, no Maranhão e no Tocantins. Segundo a apuração da polícia, os estabelecimentos tinham vínculos com operadores já citados em outro inquérito da Operação Carbono Oculto. Em São Paulo, essa investigação mirou um esquema nacional de lavagem de R$ 52 bilhões. A Polícia Civil do Piauí abriu o inquérito depois da venda da Rede de Postos HD para a Pima Energia e Participações, criada menos de uma semana antes da compra. O valor da transação permanece em sigilo.

*Fonte: Revista Oeste