A estatal justificou o aluguel apontando que dois dos quatro edifícios administrativos em Brasília, incluindo a sede principal, operam acima da capacidade, provocando atrasos em elevadores e dificultando reformas
O aluguel do antigo edifício-sede do Banco do Brasil, um dos marcos arquitetônicos de Brasília, foi firmado pela Caixa Econômica Federal por R$ 2,5 milhões mensais. O contrato, com duração de cinco anos, totaliza R$ 150 milhões e foi assinado em setembro.
Adquirido em julho de 2024 pela construtora Paulo Octávio por R$ 85 milhões, o prédio passa por ampla modernização, com previsão de conclusão para fevereiro de 2026. O imóvel, inaugurado em 1962, foi projetado por Ary Garcia Roza e conta com obras de artistas como Athos Bulcão e Bruno Giorgi.
Justificativas da Caixa para a nova locação
A Caixa justificou o aluguel apontando que dois dos quatro edifícios administrativos em Brasília, incluindo a sede principal, operam acima da capacidade, provocando atrasos em elevadores e dificultando reformas. O problema decorre, segundo o banco, de decisões tomadas entre 2019 e 2022, como a devolução de outro imóvel importante na capital federal.
O banco também destacou que a contratação de novos funcionários aumentou a demanda por espaço. A consulta pública feita para encontrar um novo edifício resultou em sete propostas, das quais apenas uma, da Paulo Octávio, atendeu integralmente aos critérios exigidos pela estatal.
Entre as demais ofertas, um imóvel só estaria pronto em julho de 2026, mesmo sendo mais barato, e outros foram descartados por distância excessiva ou tamanho insuficiente. O contrato não inclui a agência bancária e a sobreloja, hoje ocupadas pelo Banco do Brasil, que devem ser desocupadas antes da entrega do prédio.
Investimentos e retorno financeiro
A Paulo Octávio informou que já investiu R$ 192 milhões nas reformas e prevê gastar mais R$ 43 milhões, totalizando cerca de R$ 235 milhões em melhorias. Ao somar a compra e as obras, o investimento chega a R$ 320 milhões. A construtora prevê recuperar o valor da compra em dois anos e dez meses, e o total investido em reformas em mais sete anos e dez meses.
Considerando um valor de R$ 300 milhões sem a agência, o rendimento mensal do imóvel chega a 0,83%, superando a média do mercado de Brasília, segundo dados do presidente da Caixa, Carlos Vieira. A estatal ainda prevê gastar R$ 20 milhões para adequar o edifício, incluindo móveis e sistemas de segurança.
Em nota, a Caixa apontou que a ocupação do novo prédio segue estratégias institucionais e que cada movimentação passa por revisões para garantir eficiência e conformidade. Já a Paulo Octávio afirmou que o edifício estava abandonado há dez anos e destacou os investimentos feitos para revitalizá-lo em parceria com a Heil Assessoria Imobiliária Spe.
Apesar do contrato, a construtora afirmou que a ocupação total do prédio dependerá de negociações futuras. O edifício, situado em local escolhido por Lúcio Costa, reúne elementos de grande valor artístico e histórico, incluindo painéis de Athos Bulcão e paisagismo de Burle Marx.
*Fonte: Revista Oeste