André Mariano, investigado por comprar contratos públicos, teve pelo menos duas agendas oficiais com Fernanda Pacobahyba
Preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Coffee Break, o empresário André Gonçalves Mariano esteve por duas vezes no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta quinta-feira, 13.
Mariano é dono da Life Tecnologia Educacional, empresa que desenvolve livros e jogos didáticos. Nas duas ocasiões, ele se reuniu com Fernanda Pacobahyba, presidente do FNDE. Ele é acusado de montar uma rede de lobistas para obter contratos públicos em troca de propina.
Segundo a PF, a empresa lucrou pelo menos R$ 50 milhões com licitações em cidades paulistas, como Sumaré, Hortolândia e Limeira. A primeira reunião com a presidente do FNDE aconteceu em 19 de dezembro de 2023.
Registrada na agenda pública, a pauta oficial foi “assuntos da pasta”. Também participaram coordenadores do órgão. Mariano compareceu ao encontro ao lado do secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Gomes Moraes, que também foi preso na operação.
A segunda reunião ocorreu em 14 de maio deste ano. Dessa vez, o tema foi “livros paradidáticos, material para alunos e bibliotecas”. A chefe de gabinete e a coordenadora-geral do FNDE também estavam presentes. O empresário chegou acompanhado do jornalista Magno Romero, que virou alvo de busca da PF.
Romero já atuou como assessor do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Também ocupou cargo comissionado na Empresa Brasil de Comunicação. Para os investigadores, ele é uma peça da engrenagem de influência montada por Mariano em Brasília.
Procurado pelo Estadão, o MEC confirmou as reuniões. No entanto, disse que “não houve qualquer desdobramento administrativo decorrente”.
PF apura influência do grupo de Mariano na ApexBrasil
A PF ainda mapeia a atuação de Mariano em outros órgãos do governo. Entre os alvos está a ApexBrasil, agência de promoção de exportações. A corporação investiga se o grupo tinha influência dentro da entidade.
Em mensagens interceptadas, Mariano e Kalil Bittar — ex-sócio de Fábio Luís, o Lulinha — comemoraram a nomeação de Victor Queiroz para o escritório da Apex em Pequim, China. “Vamos que vamos”, escreveu Mariano, depois de receber o print da portaria com a indicação.
A investigação também cita Kalil, que esteve na China com uma comitiva do governo em junho. Outro nome ligado ao grupo é Carla Ariane Trindade, ex-mulher do enteado de Luiz Inácio Lula da Silva. As autoridades indicam ambos como aliados do empresário.
A Apex negou qualquer vínculo com Mariano ou Kalil. Informou que ambos não estavam entre os 324 inscritos na última missão empresarial organizada pela agência. Disse também que a nomeação de Queiroz foi baseada em critérios técnicos e mérito profissional.
Já a defesa de Carla Trindade afirmou que aguarda acesso aos autos para se manifestar. Kalil Bittar não respondeu aos contatos.
*Fonte: Revista Oeste