Imunizante de dose única deve ter registro publicado nos próximos dias
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalizou a avaliação técnica da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, e iniciou a etapa administrativa para aprovar o registro. Nesta quarta-feira, 26, a agência assina, em São Paulo, o Termo de Compromisso com o Instituto Butantan, último passo antes da publicação no Diário Oficial da União.
O governo espera iniciar a aplicação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2026, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), em pessoas de 2 a 59 anos. Ainda não há data para inclusão no calendário nacional.
Butantan já produziu mais de 1 milhão de doses
O Butantan já produziu mais de 1 milhão de doses antes da conclusão do processo regulatório. Para ampliar a oferta, firmou parceria com a empresa chinesa WuXi, que permitirá entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
A fabricação da vacina contra a dengue começou no início de 2025. O instituto prevê oferta de 60 milhões de doses anuais a partir de 2026, com possibilidade de expansão.
De acordo com informações oficiais, a aprovação técnica ocorreu depois de cinco anos de acompanhamento de voluntários do ensaio clínico de fase 3, realizado entre 2016 e 2024, com mais de 16 mil participantes de 14 Estados.
Entre pessoas de 12 a 59 anos, os resultados mostraram:
- eficácia geral de 74,7%;
- proteção de 91,6% contra dengue grave ou com sinais de alarme;
- 100% de proteção contra hospitalizações.
Além disso, a Butantan-DV apresentou eficácia de 79,6% em casos sintomáticos e 89% em casos graves. A vacina é tetravalente e segura para pessoas com ou sem infecção prévia.
Outras vacinas contra a dengue disponíveis
O SUS oferece hoje a Qdenga, da Takeda, aplicada em duas doses e recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em 2024, o Brasil registrou mais de 5,9 milhões de casos e 6,2 mil mortes por dengue, recorde histórico.
A formulação com vírus atenuados busca proteger contra os quatro sorotipos da dengue, reduzindo o risco de formas graves em reinfecções.
*Fonte: Revista Oeste