Jogador do Goytacaz disputa partida com tornozeleira eletrônica

Caso gera debate sobre limites, regras e ressocialização no futebol fluminense

O Goytacaz tenta confirmar o acesso no Campeonato Carioca B2 enquanto administra uma situação incomum: um de seus atletas disputa a final monitorado pela Justiça. O meia-atacante Yuri de Carvalho, 30 anos, saiu do presídio em maio e passou a cumprir a pena em regime aberto, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. Sete meses depois, ele segue como opção frequente no time comandado por Wellington Gomes.

A presença do jogador nos gramados chamou atenção no primeiro duelo da decisão contra o Macaé, disputado no Moacyrzão. Ele entrou no segundo tempo e atuou com o dispositivo coberto pelo meião. O confronto terminou empatado em 1 a 1, resultado que empurra a definição para o jogo de volta.

Goytacaz quer renovação e aguarda posição da Ferj

Dirigentes do Goytacaz afirmam que não identificaram regra que impeça atletas monitorados de entrar em campo. O clube ainda tenta retirar o equipamento por meio de pedido encaminhado à Vara de Execução Penal, mas a solicitação não foi analisada.

Ao Globo Esporte, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) informou que vai consultar a legislação para saber se existe restrição ao exercício profissional de jogadores com tornozeleira. A entidade reforçou que o futebol também cumpre função social e disse querer evitar erros de interpretação ao julgar o caso.

A Justiça prendeu Yuri em 2018 por tráfico de drogas. Ele ficou encarcerado por sete anos na Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro, em Campos dos Goytacazes (RJ). Funcionários do clube o descrevem como disciplinado e bem relacionado com o elenco. A diretoria avalia renovar o contrato ao fim do campeonato.

*Fonte: Revista Oeste