Estatal buscava captar R$ 20 bilhões com aval da União para reestruturar suas finanças
O Tesouro Nacional reprovou a tentativa dos Correios de levantar R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos. Vinculado ao Ministério da Fazenda, o órgão classificou como abusiva a taxa de 136% do CDI proposta pelos credores.
A estatal planejava contratar o empréstimo com garantia da União em instituições como Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank e Safra. A diretoria dos Correios pretendia usar o valor para reforçar o caixa e executar o plano de reestruturação.
A proposta previa juros próximos de 18% ao ano. No entanto, o teto estipulado pelo Tesouro para esse tipo de financiamento é de 120% do CDI.
O conselho de administração da estatal já havia aprovado a operação na última sexta-feira, 28. Mas a equipe do Ministério da Fazenda vetou o modelo atual durante uma reunião realizada nesta terça-feira, 2, em Brasília.
Em nota, a estatal informou que segue avaliando alternativas para garantir liquidez imediata. Técnicos dos Correios estão em diálogo com ministérios na tentativa de manter os planos de recuperação financeira.
MP alertou para risco de prejuízo bilionário com aval da União
Antes da reprovação do Tesouro, o Ministério Público (MP) já havia ressaltado que o empréstimo corria o risco de se transformar em uma espécie de “Bolsa Banco”. Segundo o órgão, com o aval da União, as instituições teriam segurança quase total, mesmo em caso de eventual calote dos Correios.
Além disso, o MP também criticou a possível mudança em um decreto que regula a gestão de estatais. A alteração, portanto, permitiria a concessão de garantias mesmo quando a taxa excede o teto de referência.
Os Correios somam mais de três anos no vermelho e projetam perdas de até R$ 10 bilhões em 2025. Para 2026, a previsão é ainda mais grave: um rombo de até R$ 23 bilhões.
*Fonte: Revista Oeste