Hamas mantém presença em túneis e dificulta avanço diplomático

Negociação emperra com combatentes isolados em Rafah e pressão crescente sobre mediadores

Israel reforçou a pressão sobre os grupos do Hamas isolados na área leste de Rafah, em um momento em que mediadores tentam destravar a nova fase do cessar-fogo. Segundo o The Wall Street Journal, o cerco aos terroristas, confinados no subterrâneo desde outubro, tornou-se um dos pontos mais delicados nas tratativas para estabilizar a região.

Nos últimos meses, militares israelenses avançaram no mapeamento do sistema de túneis e ampliaram o uso de equipamentos pesados para atingir estruturas consideradas estratégicas. Fontes ligadas ao Exército afirmam que parte do complexo subterrâneo vem sendo inundada para obrigar os integrantes do Hamas a abandonar as posições. Estimativas variam entre 60 e 80 terroristas ainda presentes no local.

Israel aceita permitir que sobrevivam caso se entreguem, mas o Hamas rejeita qualquer condição que inclua cessão de armamento ou exoneração de funções. Tentativas de oferecer passagem segura fracassaram. Propostas envolveram retirada por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha ou envio dos militantes para um terceiro país, sem sucesso.

Gaza revela entraves ao desarmamento do Hamas

A insistência do Hamas em evitar qualquer acordo tem irritado aliados e críticos do grupo. Segundo mediadores árabes ouvidos pelo jornal, países envolvidos evitam compromissos financeiros ou militares enquanto persistirem confrontos em pontos isolados de Gaza. Para analistas, a situação em Rafah se tornou o primeiro teste sobre a possibilidade de desarmamento da facção.

O cenário também traz riscos às tropas israelenses. Em uma das ações recentes, quatro soldados ficaram feridos quando militantes surgiram de túneis e atingiram um veículo blindado. O Exército afirma ter eliminado mais de 40 integrantes do grupo nas últimas semanas.

Em paralelo, ataques localizados mantêm a tensão elevada. Israel responde com bombardeios quando detecta movimentação hostil, e autoridades de saúde palestinas relatam mortes de civis nesses episódios. A instabilidade provoca receio de retomada ampla dos confrontos.

No plano político, o governo norte-americano pressiona por avanços na construção de novas estruturas administrativas e de segurança em Gaza. A intenção é reduzir a influência do Hamas e iniciar etapas de reconstrução. Especialistas alertam, porém, que a falta de consenso sobre o destino dos combatentes entrincheirados ameaça travar essa agenda.

A morte de líderes terroristas em Rafah, que tentavam escapar pelo subterrâneo, reforçou a sensação de colapso entre simpatizantes do grupo. Parte da base critica a condução da liderança política, que, segundo essas vozes, teria abandonado integrantes deixados para trás.

Para o Instituto para Estudos de Segurança Nacional, em Tel Aviv, o desfecho em Rafah pode indicar o rumo de toda a negociação. Caso os últimos terroristas sejam mortos ou capturados, analistas avaliam que a chance de um acordo equilibrado diminui.

*Fonte: Revista Oeste