Conflito reacende depois de rompimento de trégua mediada pelos Estados Unidos
A Tailândia bombardeou alvos militares cambojanos nesta segunda-feira, 8, em resposta a combates na fronteira que resultaram na morte de um soldado tailandês e deixaram outros quatro feridos. As Forças Armadas alegaram ainda que o país vizinho mobilizou armamentos pesados e reposicionou tropas na região.
Segundo o governo de Camboja, os ataques ocorreram sem provocação. O Ministério da Defesa alegou que suas forças militares não retaliaram, apesar de ações provocativas que, segundo o país, vinham se acumulando há vários dias.
O ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, confirmou a morte de quatro civis nas províncias de Oddar Meanchey e Preah Vihear. Além disso, a pasta relatou a evacuação de 1.157 famílias para áreas seguras.
Do lado tailandês, mais de 385 mil civis receberam ordens para deixar a zona de conflito. Autoridades do país informaram que cerca de 35 mil pessoas se abrigaram em instalações públicas.
A escalada ocorre seis semanas depois da assinatura de um acordo de cessar-fogo, intermediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A trégua buscava encerrar um confronto iniciado em julho, que havia deixado 48 mortos e provocado a fuga de 300 mil pessoas.
A Tailândia anunciou a suspensão do acordo no mês passado, acusando o Camboja de violar os termos e instalar novas minas terrestres na fronteira. Um soldado tailandês perdeu um pé depois da explosão de uma dessas minas, segundo o governo.
Lideranças tentam conter nova guerra na Ásia
O primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, contou com o apoio político de seu pai, Hun Sen, ex-líder do país. Em publicação nas redes sociais, Hun Sen pediu moderação. “Exorto os comandantes em todos os níveis a instruírem todos os oficiais e soldados de acordo com isso”.
Anutin Charnvirakul, premiê da Tailândia, negou que tenha reiniciado o conflito. “A Tailândia não tolerará violações de sua soberania e procederá de forma racional e com o devido respeito aos princípios da paz, segurança e humanidade”.
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que participou da mediação da trégua junto com Trump, também se manifestou. Ele pediu que os dois lados evitem novos confrontos. “Instamos ambos os lados a exercerem a máxima contenção, manterem canais de comunicação abertos e utilizarem plenamente os mecanismos existentes”.
*Fonte: Revista Oeste