O ex-vereador compara o tratamento dado ao pai ao recebido por Lula, quando estava preso em Curitiba: ‘Dois pesos, duas medidas’
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois da nova decisão que manteve o regime restrito de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
Em uma postagem no seu perfil no X, o filho de Bolsonaro afirmou que a decisão de Moraes explicita uma disparidade de tratamento entre seu pai e o presidente Lula, preso em Curitiba em 2018 e 2019: “Dois pesos, duas medidas”.
A reação veio depois de Moraes negar pedido da defesa de Bolsonaro para que as visitas de mulher e filhos fossem autorizadas de forma contínua, sem necessidade de solicitações semanais.
A defesa argumentou que a repetição “gera atos processuais sucessivos” e propôs que a autorização fosse automatizada, ficando sob gestão direta da PF. Moraes rejeitou a solicitação afirmando que “não há qualquer motivo razoável” para alterar o protocolo vigente.
– DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS: LULA x BOLSONARO
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) December 13, 2025
Quando Lula esteve em Curitiba CONDENADO POR CORRUPÇÃO, a regra parecia outra e Bolsonaro por pura perseguição política sem desviar um centavo:
– LULA
. Recebeu mais de 570 visitas em cerca de 6 meses de prisão
. Visitas frequentes… pic.twitter.com/VG1tYueFKc
Carlos Bolsonaro critica decisão
Na publicação, Carlos comparou o tratamento “diferenciado” dispensado a Lula e Bolsonaro, afirmando que “não se trata de justiça”. “Trata-se de quem o sistema protege e de quem ele tenta esmagar.”
“Quando Lula esteve em Curitiba condenado por corrupção, a regra parecia outra — e Bolsonaro, por pura perseguição política sem desviar um centavo”, alertou o pré-candidato a senador pelo Estado de Santa Catarina.

Segundo ele, Lula teve mais de 570 visitas em cerca de seis meses, incluindo familiares, advogados, aliados políticos e militantes, em ambiente de grande circulação.
Quanto ao ex-presidente, o ex-vereador relatou um regime estrito: “Visitas limitadas a 30 minutos, apenas quatro vezes por semana, restritas exclusivamente a familiares e mediante pedido formal. Mesmo cumprindo todas as exigências, há pedidos ignorados e visitas negadas”.
Carlos classificou as regras atuais como forma de “isolamento, punição psicológica, humilhação familiar, tortura e tentativa de assassinato”.
“Enquanto para um a prisão foi quase um palco político, para o outro transforma-se em isolamento”, disse. “Os números não mentem. A diferença de tratamento também não.”
Com a decisão de Moraes, os protocolos continuam:
- Visitas somente às terças e quintas;
- Autorização prévia obrigatória;
- Máximo de 30 minutos por visita; e
- Apenas dois familiares por dia, recebidos separadamente.
Apesar da negativa sobre a autorização automática, Moraes liberou visitas de Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a próxima terça-feira, 16.
Pedido de cirurgia
O mesmo despacho determinou que a PF realize, em até 15 dias, perícia médica para avaliar a alegada necessidade de cirurgia para tratar uma hérnia inguinal.
Moraes observou que os exames anexados pela defesa não são recentes e que, no exame realizado no dia da prisão, “não houve registro de qualquer condição médica que indicasse necessidade de imediata intervenção cirúrgica”.
*Fonte: Revista Oeste