Toffoli determina acareação no STF para investigar fraude no Banco Master

Encontro reunirá Daniel Vorcaro, fundador do banco, Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a condução de uma acareação envolvendo figuras centrais do caso Banco Master. O encontro reunirá Daniel Vorcaro, fundador do banco, Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Mesmo durante o recesso da Suprema Corte, a audiência está prevista para a próxima terça-feira, 30, às 14h, nas dependências do Tribunal. O processo terá acompanhamento da Polícia Federal, enquanto um juiz do gabinete de Toffoli ficará responsável por fazer as perguntas encaminhadas pelo ministro. Todo o procedimento será registrado em vídeo.

Sigilo e aceleração das investigações

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli | Montagem: Revista Oeste/Shutterstock/Reprodução

A iniciativa de promover a acareação partiu diretamente de Dias Toffoli, sem solicitação da Polícia Federal. O ministro impôs sigilo aos autos, concentrando os documentos no Supremo. Ele busca acelerar o andamento das investigações sobre a fraude que, segundo o Banco Central, causou um rombo de R$ 12 bilhões em créditos fictícios no balanço do Master, dado contestado pelo banco liquidado.

Toffoli tem o objetivo de apurar quais medidas foram tomadas pelos envolvidos, levando à liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Antes desse desfecho, o BRB havia anunciado, em 28 de março, planos de adquirir o Master, operação que prometia fortalecer o mercado bancário e a própria instituição estatal.

O Banco Central vetou a operação em 3 de setembro de 2025. Em 18 de novembro, o BC liquidou o Master; no mesmo dia, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros dirigentes, durante a Operação Compliance Zero. Toffoli também já identificou que alertas sobre inconsistências nos ativos do banco foram feitos ao Banco Central mais de um ano antes.

Implicações regulatórias e trajetória de Toffoli

O ministro pretende compreender possíveis falhas ou atrasos do sistema regulatório no caso, visando a mudanças estruturais que possam reforçar o sistema financeiro do país. O tema remete à trajetória de Toffoli, que em 1996, como advogado do PT na Câmara, participou de ação que impediu o uso de recursos públicos para criar o Fundo Garantidor de Crédito.

Há indícios que apontam para um esquema de geração de créditos falsos para inflar ativos do Master, o que a instituição nega. A acareação marcada para o dia 30 pretende esclarecer as versões e permitir o confronto direto entre Vorcaro e o diretor do Banco Central.

Ailton Aquino, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2023 para a diretoria do Banco Central, teve seu nome aprovado pelo Senado por 42 votos a 10. Aos 48 anos, tornou-se o primeiro homem negro a ocupar essa função na autoridade monetária.

No dia 17 de novembro de 2025, Aquino participou de uma videoconferência com Daniel Vorcaro, registrando também a presença de dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária. A pauta ficou restrita à instituição e ocorreu no contexto do anúncio da venda do Master à Fictor Holding Financeira.

Na manhã seguinte, 18 de novembro, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Um ofício produzido pelo Banco Central sobre a videoconferência foi usado pela defesa de Vorcaro para argumentar que ele havia comunicado previamente sua viagem ao exterior, afastando suspeitas de tentativa de fuga.

A desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, acolheu o argumento e concedeu liberdade a Vorcaro, impondo uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. O documento do Banco Central acabou servindo como justificativa para derrubar a tese de prisão preventiva por risco de fuga.

*Fonte: Revista Oeste