A autarquia explicou a cronologia técnica e documentada das ações realizadas em relação ao banco desde 2023
O Banco Central (BC) informou ao Tribunal de Contas da União (TCU), nesta segunda-feira, 29, todos os procedimentos adotados desde 2023 até a liquidação extrajudicial do Banco Master. A resposta foi entregue no prazo final estipulado pelo TCU e apresenta uma cronologia detalhada das medidas tomadas pelo órgão para justificar a intervenção.
Segundo apuração da emissora CNN, o BC busca evidenciar que a medida foi resultado de um processo técnico e documentado, e não de uma decisão apressada. O documento enviado ao TCU indica que todos os protocolos previstos na Lei 9.447 foram seguidos, incluindo tentativas de alternativas privadas e ações de saneamento para evitar riscos sistêmicos ao sistema financeiro.
No setor financeiro, a principal preocupação é que eventuais reveses na liquidação do Master tragam impactos ao mercado. O TCU e o Supremo Tribunal Federal conduzem investigações sob sigilo, incluindo acareação entre Daniel Vorcaro, do Master, Paulo Henrique Costa, ex-diretor do Banco de Brasília (BRB) e Aílton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do BC.

As iniciativas são vistas como medidas que colocam o BC sob suspeita, na contramão da expectativa do setor.
De acordo com o relato ao TCU, o BC identificou, em 2023, fragilidades no Banco Master, como aumento acelerado do passivo e concentração em ativos de pouca liquidez, especialmente precatórios. Alterações nas normas do próprio BC limitaram o uso desses ativos para proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que afetou a estrutura financeira do banco.
Nesse contexto, surgiram indícios de fraude, formalmente comunicados ao Ministério Público.

BC mostra tentativas de solução privada no caso do Banco Master
O BC detalhou ao TCU as tentativas de solução privada, como a possível aquisição pelo BRB, que foi submetida a várias análises e teve o escopo da operação reduzido por falta de informações adequadas. Diante do aumento do risco, a diretoria decidiu rejeitar a transação.
Outro ponto abordado foi o papel do FGC em 2025, quando a restrição à captação e aos pagamentos de Certificados de Depósito Bancário garantidos pelo fundo fez o passivo do Master diminuir, mas agravou a crise de liquidez.
Durante todo o processo, o Banco Central solicitou novos aportes de capital e recusou operações que apresentavam irregularidades na origem dos recursos, com novas comunicações aos órgãos de investigação.
*Fonte: Revista Oeste