O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, neste domingo, 4, que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará “um preço alto” se “não fizer a coisa certa”.
“Se não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse Trump à revista The Atlantic em uma breve entrevista por telefone.
Mais cedo, em entrevista à emissora norte-americana CBS News, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a Casa Branca irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se tomarem “as decisões certas”.
“Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem”, disse Rubio no programa Face the Nation. “Dei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos irão manter diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses.”
Ao ser indagado sobre a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o chefe da diplomacia norte-americana lembrou “os objetivos” dos EUA e assegurou que Washington irá “ver o que vai acontecer”.
O Tribunal Supremo da Venezuela determinou que Rodríguez assuma a Presidência, depois da captura de Maduro. O ditador, que permaneceu por quase 13 anos no poder, foi derrubado em operação militar dos EUA em Caracas na madrugada deste sábado, 3. O bolivariano está preso em Nova York, onde responderá por crimes ligados ao tráfico internacional de drogas.
“Queremos que o narcotráfico cesse. Não queremos ver mais gangues chegando ao nosso território. Queremos que a indústria do petróleo não beneficie piratas e adversários dos Estados Unidos, e sim o povo”, insistiu Rubio.
Para o secretário de Estado dos EUA, não era possível trabalhar com Maduro. “Trata-se de alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou” e a quem “oferecemos, em várias ocasiões, a possibilidade de deixar o poder”, prosseguiu.
Tropas norte-americanas na região
Perguntado sobre o envio de tropas norte-americanas em solo venezuelano, o secretário de Estado descreveu isto como uma “obsessão da opinião pública”, mas, ao mesmo tempo, disse que o governo Trump não descarta a opção.
O republicano apontou que o governo norte-americano manteria uma “quarentena” militar em torno da Venezuela para impedir que petroleiros sujeitos a sanções dos EUA entrassem e saíssem do país, para exercer pressão sobre a nova liderança local.

“Essa medida permanece em vigor e representa uma enorme pressão que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para promover o interesse nacional dos Estados Unidos, que é a prioridade número um, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela”, disse Rubio durante a entrevista.
Trump, Delcy Rodriguez e petróleo
O secretário de Estado apontou também que é preciso melhorar a capacidade de extração de petróleo da Venezuela.
“É óbvio que eles não têm capacidade para reativar essa indústria”, disse ele. “Eles precisam de investimento de empresas privadas que só investirão sob certas garantias e condições.”
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez. que se tornou presidente interina no sábado, 3, impressionou o governo Trump por causa de sua gestão das reservas de petróleo da Venezuela, segundo informações do jornal The New York Times. As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram Washington de que ela protegeria e promoveria futuros investimentos energéticos norte-americanos no país.

Depois de a economia da Venezuela suportar um terrível colapso de 2013 a 2021, Delcy liderou uma reforma favorável ao mercado que havia proporcionado uma aparência de estabilidade econômica antes da campanha militar dos EUA que resultou na captura de Maduro.
Sua privatização de ativos estatais e a política fiscal relativamente conservadora deixaram a Venezuela mais bem preparada para resistir ao bloqueio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de petroleiros sancionados carregando petróleo, o sustento econômico do país.
Rubio diz que é prematuro falar em eleições na Venezuela
Durante a entrevista, Rubio também apontou que as discussões sobre a realização de eleições na Venezuela eram “prematuras”, com Washington focado em garantir que a liderança remanescente em Caracas implemente mudanças políticas.
“Tudo isso, eu acho, é prematuro neste momento”, destacou Rubio. “O que nos interessa agora são todos os problemas que tínhamos quando Maduro estava no poder. Ainda temos esses problemas que precisam ser resolvidos. Vamos dar às pessoas a oportunidade de lidar com esses desafios e esses problemas.”
*Fonte: Revista Oeste, com informações da Agência Estado e de agências de notícias internacionais