Congressistas denunciam negligência, interferência em apuração médica e cobram respeito à autonomia institucional
Parlamentares reagiram com duras críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a sindicância aberta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para apurar o atendimento prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A autarquia havia designado o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) para conduzir a medida. A decisão ocorreu depois do recebimento formal de denúncias que “expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada” ao ex-presidente.
No entanto, Moraes considerou a medida “flagrantemente ilegal”. Assim, determinou a proibição de quaisquer investigações similares tanto no âmbito nacional quanto no estadual.
A decisão de Moraes provocou forte reação de parlamentares da oposição. Marcel van Hattem (Novo-RS), por exemplo, afirmou que o magistrado tentou intimidar um dos poucos conselhos de classe que ainda se posicionam “contra os abusos da tirania”.
“O CFM só está cumprindo a sua função de abrir investigação diante de qualquer denúncia que receba”, escreveu em suas redes sociais. “Todo meu apoio e solidariedade à direção da entidade, que não merece tamanha perseguição por cumprir o seu papel.”
Decisão de agora de Alexandre de Moraes enfrenta a medicina brasileira, representada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que apenas ousou fazer o certo: fiscalizar e posicionar-se diante da suspeita de inércia no atendimento médico adequado e da agressão aos direitos humanos… pic.twitter.com/SRSV5eT7D6
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) January 7, 2026
Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou que Moraes concentra poderes e “arrogou para si as atribuições do CFM”. Em sua avaliação, o ministro “não tem limites” e sua conduta demonstra a urgência de uma “grande reforma do Judiciário”.
Moraes sozinho assumiu o comando geral e absoluto do Brasil. Já investiga, legisla, prende, solta, faz lobby.Hoje arrogou para si as atribuições do CFM e vai investigar seu Presidente por cumprir sua função de fiscalizar atuação médica. Não tem limites. O Precisamos de uma grande…
— Bia Kicis (@Biakicis) January 8, 2026
Nesse sentido, o senador Magno Malta (PL-ES) argumentou que Moraes agiu com “usurpação de competência, desvio de finalidade e abuso de poder”. E interpelou: “Que justiça é essa?”.
O Conselho Federal de Medicina cumpre seu dever ao questionar o atendimento médico de um custodiado, Jair Bolsonaro.
— Magno Malta (@MagnoMalta) January 7, 2026
Alexandre de Moraes anulou o CFM, intimidou seus dirigentes com ameaça criminal e interferiu na autonomia de um órgão técnico.
Usurpação de competência, desvio de… pic.twitter.com/pJoyNZcRZk
Flávio e Marinho citam negligência e perseguição judicial a Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, destacou que a nota do CFM é “óbvia ao dizer que a burocracia proposital — e paranóica — de Moraes não pode se sobrepor à medicina”.
Além disso, defendeu que o atendimento médico a Bolsonaro deveria ter sido imediato. Moraes autorizou a tomografia mais de 24 horas depois da queda. Segundo a equipe médica, o impacto provocou um traumatismo craniano leve.
“Bolsonaro poderia ter sido encontrado morto pela manhã!!!”, informou Flávio. “É essa a torcida de Moraes contra Bolsonaro???”
Alexandre de Moraes é NEGACIONISTA!
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 7, 2026
A nota do Conselho Federal de Medicina é óbvia ao dizer que a burocracia proposital – e paranóica – de Moraes não pode se sobrepor à medicina e ao cuidado com vida de um ser humano: alguém que bate com a cabeça num armário, em estado de… pic.twitter.com/DrSWvN3Ioc
Por fim, o senador Rogério Marinho (PL-RN) indicou perseguição seletiva por parte do Judiciário e classificou a decisão como um grave desvio institucional.
“Não podemos aceitar que abusos se tornem regra, nem permitir que tragédias anunciadas se repitam”, disse. “O Brasil precisa, com urgência, de uma reforma do Judiciário, que redefina prerrogativas, estabeleça limites claros e resgate a normalidade democrática.”
Quem vigia o vigia?
— Rogério Marinho🇧🇷 (@rogeriosmarinho) January 7, 2026
A democracia não admite poder absoluto. Ninguém está acima da lei. Ao anular a sindicância do Conselho Federal de Medicina sobre o atendimento prestado ao presidente Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes ultrapassa limites e escancara um padrão de… pic.twitter.com/caBOU0JfxP
*Fonte: Revista Oeste