Vorcaro diz à PF que área do BC chegou a apoiar venda do Master

Banqueiro afirmou em depoimento que fiscalização acompanhava negociações com o BRB ‘diariamente’

Em depoimento à Polícia Federal (PF) em dezembro, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a diretoria de fiscalização do Banco Central defendia uma saída negociada para o Master até “um determinado momento”, mas que uma mudança interna teria alterado o rumo do processo.

“A própria diretoria de fiscalização tinha interesse em criar uma solução de mercado até um determinado momento e evitar esse caos que está se instaurando no país”, afirmou Vorcaro.

Ao ser interpelado sobre alertas do Banco Central ao BRB antes da compra de carteiras de crédito, o banqueiro respondeu diretamente: “Não.” 

Ainda assim, ele negou que a autarquia tenha falhado como um todo e atribuiu a condução do processo a um acompanhamento contínuo da área de supervisão. O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, já havia sido ouvido pela PF sobre o caso.

Sede do Banco Central, que decretou a liquidação do Master nesta terça-feira, 18 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Sede do Banco Central, que decretou a liquidação do Master | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

“Eu acredito que a área de fiscalização presidida pelo senhor Ailton até o momento do dia 17 atuou com a diligência normal, porque eram debatidos diariamente os pontos com relação tanto ao Banco Master, quanto à negociação do BRB, quanto às carteiras”, disse Vorcaro.

O Banco Central informou que foi a área comandada por Aquino que identificou inconsistências nas operações do Master e que caberia a ela comunicar supostas irregularidades ao Ministério Público Federal. Indagado sobre as declarações de Vorcaro, o órgão preferiu não comentar.

Vorcaro disse ter se “supreendido” com sua prisão

No depoimento à delegada Janaína Palazzo, o banqueiro disse ter sido surpreendido pela ordem de prisão, pois, segundo ele, a autoridade monetária acompanhou todos os passos da venda do Master para o BRB (Banco de Brasília). 

“Não tinha nada que acontecesse no banco que o Banco Central não acompanhasse ou que não soubesse”, declarou. “O grande problema que aconteceu nessa história, doutora, infelizmente, é que dentro do Banco Central existiam pessoas que queriam uma solução de mercado e existiam outras pessoas, departamentos, que queriam que acontecesse o que aconteceu e acabaram vencendo.”

O banqueiro mencionou ainda que o Banco Central monitorava constantemente o Master, inclusive as operações relacionadas à carteira de crédito consignado da empresa Tirreno. Segundo ele, toda nova etapa era informada ao órgão. 

Ele relatou que, em março, houve uma notificação para esclarecimentos sobre a contratação de associações para cobrança da carteira; após o envio das respostas, não teria havido outros questionamentos sobre possíveis irregularidades.

“Então, na verdade, não existia uma determinação ou não existia um entendimento de que havia um problema real com as carteiras”, explicou Vorcaro. “E de repente em 17 de novembro eu sou preso, sem nenhuma outra pergunta depois de março. É a dúvida que fica para mim.”

*Fonte: Revista Oeste