Fundos de previdência aplicaram mais de R$ 1,5 bilhão no Banco Master

Aplicações envolveram estados e municípios e alcançaram centenas de milhares de beneficiários

Dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) mostram que fundos públicos de aposentadoria direcionaram R$ 1,57 bilhão a papéis do Banco Master. As aplicações ocorreram antes do início da liquidação judicial da instituição financeira, decretada em novembro. O montante representa cerca de 3,5% do volume total administrado pelos 18 institutos analisados, de acordo com o portal UOL.

Os recursos pertencem a regimes próprios de previdência de três estados — Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro — além de 15 municípios distribuídos por nove unidades da federação. Juntos, esses fundos respondem pelo pagamento de benefícios a mais de 250 mil pessoas, entre aposentados e pensionistas.

A maior parte do dinheiro foi aplicada em letras financeiras. Esses títulos têm vencimento superior a dois anos e não permitem resgate antecipado. Esse perfil ampliou o risco de liquidez no momento em que o banco entrou em colapso.

Maior aporte no Master veio do RJ

O maior aporte individual partiu do Rioprevidência. O fundo dos servidores fluminenses investiu R$ 970 milhões em títulos do Banco Master. Esse valor equivale a cerca de 10% da carteira do órgão. As compras ocorreram entre outubro de 2023 e agosto de 2024 e motivaram fiscalização do INSS.

A movimentação também entrou no radar da Polícia Federal. A Operação Barco de Papel apontou risco elevado e incompatibilidade entre os investimentos e a finalidade previdenciária do fundo. O presidente do Rioprevidência acabou exonerado depois de ação de busca e apreensão. A autarquia afirma que não houve irregularidade.

Segundo o portal UOL, em outubro de 2024, o deputado estadual Luiz Paulo (PSD) solicitou informações formais ao Rioprevidência. O ofício cobrava detalhes sobre medidas de controle de riscos de mercado, crédito e liquidez. O órgão não respondeu ao pedido.

O Rioprevidência informou que, em caso de insuficiência financeira, o Tesouro do Estado do Rio de Janeiro garante o pagamento de aposentadorias e pensões. A autarquia também comunicou que valores descontados em folha de empréstimos consignados passaram a ficar retidos no fundo, por ordem judicial, em vez de serem repassados ao Banco Master.

*Fonte: Revista Oeste