Brasil assume representação diplomática do México no Peru

Ação, que inclui guarda da sede da embaixada mexicana em Lima, ocorre depois de rompimento entre os países

Depois do rompimento de relações diplomáticas entre México e Peru, o governo brasileiro passou a representar os interesses diplomáticos mexicanos no território peruano. O Ministério das Relações Exteriores confirmou a decisão neste domingo, 25, com detalhes de que a missão inclui a guarda da sede da embaixada do México em Lima, além da residência do chefe de missão, dos bens e dos arquivos diplomáticos.

Segundo o Itamaraty, o Brasil atendeu a um pedido formal do México, com aprovação prévia das autoridades peruanas. A medida segue as normas da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, que permite, no artigo 45, que um Estado confie a custodiar seus interesses a um terceiro país caso haja ruptura de relações.

Crise diplomática entre México e Peru

México
Bandeira do México | Foto: Edgar Flores/ Pixabay

O rompimento entre Peru e México ocorreu em novembro, depois que os mexicanos concederam asilo à ex-primeira-ministra peruana Betssy Chávez, processada por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2022. A ação contou com a liderança do ex-presidente Pedro Castillo.

Depois do episódio, o presidente peruano José Jerí comunicou, na rede X, que Karla Ornela, responsável pela embaixada mexicana em Lima, deveria deixar o Peru.

Por sua vez, o governo mexicano classificou a expulsão como “excessiva e desproporcional” e defendeu que o asilo foi “um ato legítimo e em conformidade com o direito internacional”, de acordo com nota oficial. O México, tradicionalmente, concede asilo a pessoas que alegam perseguição política, como já ocorreu com Evo Morales, da Bolívia, e Jorge Glas, do Equador.

As tensões entre os dois países se intensificaram depois da destituição de Pedro Castillo, quando o então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador ofereceu asilo à família do ex-presidente peruano. Desde então, o México não reconhece autoridades peruanas e ambos os países retiraram seus embaixadores, mas mantiveram o comércio bilateral ativo.

Brasil como mediador diplomático

O Brasil também desempenhou papel semelhante em agosto de 2024, ao assumir as funções diplomáticas do Peru e da Argentina na Venezuela durante a crise envolvendo o regime de Nicolás Maduro e o governo de Javier Milei. Na época, a cooperação entre Brasil e Argentina surpreendeu, uma vez que Lula e Milei já enfrentavam divergências públicas.

O argentino chegou a elogiar a atitude brasileira. “Agradeço imensamente a disposição do Brasil em assumir a custódia da embaixada argentina na Venezuela”, afirmou. “Os laços de amizade que unem a Argentina ao Brasil são muito fortes e históricos.”

No entanto, depois da queda de Maduro pelos Estados Unidos, o presidente Lula comunicou ao governo argentino que o Brasil deixaria a função. No dia seguinte, o Itamaraty avisou à Venezuela sobre a decisão, tomada depois de discussões internas e com aprovação do presidente brasileiro.

*Fonte: Revista Oeste