Para a deputada Adriana Ventura, ‘quando um banco quebra e leva junto recursos de fundos públicos, não é problema só de mercado’
As investigações sobre a insolvência do Banco Master trouxeram à tona questionamentos sobre os alertas encaminhados pelo Banco Central (BC) ao Ministério da Fazenda. Nesta sexta-feira, 6, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) solicitou que o ministro Fernando Haddad detalhe as notificações recebidas pela pasta a respeito dos riscos de quebra da instituição.
A parlamentar requisitou documentos referentes à supervisão do BC sobre o Master desde 2020, além de informações sobre os prejuízos causados pelo banco liquidado a órgãos públicos, especialmente regimes de previdência.
Também nesta sexta-feira, a Polícia Federal (PF) realizou uma operação contra suspeitas de fraude em aplicações do sistema previdenciário do Amapá no Banco Master.
O Banco Master teve a liquidação decretada pelo BC em novembro do ano passado e está sob investigação da PF.
As apurações também envolvem o Banco Regional de Brasília, estatal do Distrito Federal que buscou adquirir o Master. O prejuízo estimado, segundo o BC, ultrapassa R$ 5 bilhões.
“Quando um banco quebra e leva junto recursos de fundos públicos, não é problema só de ‘mercado’”, afirmou Adriana Ventura. “É o dinheiro do aposentado, do servidor, do contribuinte que está em jogo.”
Investigação envolve o Banco Master e fundos de previdência
Os órgãos de controle direcionam o foco para fundos de previdência estaduais e municipais.
Na terça-feira 3, a PF deteve Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do RioPrevidência, responsável pelas aposentadorias dos servidores do Rio de Janeiro. Durante sua gestão e a de outros dois ex-diretores, o fundo investiu R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, modalidade de alto risco, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo apura investimentos milionários do fundo de pensão dos servidores de Cajamar (SP) no Banco Master, realizados sem embasamento técnico e de maneira considerada precipitada, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
Conforme o veículo de comunicação, o instituto levou apenas seis dias para aprovar, autorizar e concretizar o aporte. Ao todo, o fundo de Cajamar, município com 98 mil habitantes, destinou R$ 87 milhões ao banco.
*Fonte: Revista Oeste*