Lula defende alianças políticas para ‘ganhar as eleições’ 

Em evento de aniversário do PT em Salvador, o petista diz ser necessário ‘convocar’ a militância às urnas; partido sai em defesa de Cuba e Venezuela

“Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse país”, avaliou. “E estamos mais sabidos, muito mais preparados. (…) Estejam preparados. Se vocês precisam de um timoneiro, está aqui eu. Se vocês precisam de um soldado para a linha de frente está aqui eu. Porque eu não quero ser um general, general sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês.”

O presidente também criticou práticas tradicionais da política e o peso do dinheiro nas campanhas. “A política apodreceu”, afirmou, ao relatar os custos elevados do processo eleitoral. Lula cobrou ainda autocrítica do PT por ter apoiado emendas impositivas, classificando o volume desses recursos como “um sequestro” do orçamento do Executivo.

Apesar de ocupar o centro do discurso, Lula insistiu que o partido precisa se fortalecer independentemente de sua figura. “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, afirmou. 

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou a linha defendida por Lula ao afirmar que alianças serão decisivas e que “nada é mais importante do que a eleição do presidente”, defendendo ainda pautas como tributação de grandes fortunas, fim da jornada 6×1 e tarifa zero no transporte público.

PT de Lula defende a Venezuela

Lula: números preocupantes no cenário eleitoral | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Lula: números preocupantes no cenário eleitoral | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Paralelamente às falas de Lula, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução que amplia o enfrentamento institucional da sigla. No documento, a legenda afirmou que o Brasil deve rejeitar “qualquer tentativa de interferência externa” e condena o que classifica como ataques dirigidos à Venezuela e ameaças contra Cuba, associando essas pressões a práticas recorrentes de ingerência internacional na América Latina.

Segundo o texto, essas ações externas comprometeriam a “soberania” e reproduzam a suposta “dinâmicas históricas de intervenção”. O partido defendeu uma postura diplomática que se oponha a “qualquer tentativa de interferência externa” sobre esses países.

O PT também relacionou essa posição ao debate eleitoral e institucional, ao defender que o ambiente internacional e o cenário digital precisam ser regulados para garantir processos democráticos: “O espaço digital não pode ser território de manipulação nem instrumento de ataque às instituições”.

O documento também critica a política de juros do Banco Central, classificando-a como “um obstáculo ao projeto político petista”, e cobra redução da taxa Selic, hoje em 15% ao ano. Apesar das críticas, Lula afirmou manter diálogo com o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, a quem chamou de “um homem extraordinário”.

*Fonte: Revista Oeste*