Presidente dos EUA ‘foi uma das primeiras pessoas a ligar quando descobriram que estavam investigando Epstein’, disse ex-chefe da polícia ao FBI
Michael Reiter, o então chefe de polícia de Palm Beach, na Flórida, que investigou Jeffrey Epstein em meados dos anos 2000, disse ao FBI que recebeu um telefonema de Donald Trump na época. Segundo entrevista registrada em 2019, Trump afirmou: “Graças a Deus vocês estão o impedindo, todos sabiam que ele vinha fazendo isso”.
O jornal Miami Herald foi o primeiro a noticiar o documento. Registros judiciais tornados públicos e analisados pelo veículo incluem detalhes da entrevista do FBI com o ex-chefe de polícia.
Os documentos descrevem uma ligação telefônica de 2006 na qual Trump teria feito a declaração sobre Epstein. Recentemente, porém, Trump afirmou mais de uma vez que desconhecia os crimes do financista.
Ele disse, no entanto, que rompeu contato com Epstein há mais de 20 anos e que o retirou do clube Mar-a-Lago ao descobrir que ele tentava recrutar funcionárias do spa.
Trump foi “uma das primeiras pessoas” a falar de Epstein
O nome de Reiter aparece oculto na versão do documento publicada pelo Departamento de Justiça. As informações coincidem com dados públicos sobre sua atuação na investigação iniciada em 2005. Detetives sob comando dele investigaram Epstein por recrutar garotas de até 14 anos para oferecer massagens, que se tornavam sexuais.
As referências ao telefonema de Trump ocupam pequena parte de um relatório de quatro páginas que resume o depoimento de Reiter ao FBI em outubro de 2019, dois meses depois da morte de Epstein.
“DONALD TRUMP disse a [Reiter] que expulsou EPSTEIN de seu clube”, diz trecho do relatório. “TRUMP ligou para o [Departamento de Polícia de Palm Beach] para dizer ‘graças a Deus vocês estão o impedindo, todos sabiam que ele vinha fazendo isso’.”
A ligação teria ocorrido em julho de 2006, quando detalhes da investigação se tornaram públicos.
“O TRUMP disse a ele que pessoas em Nova York sabiam que EPSTEIN era repugnante”, continua o relatório. “TRUMP disse que MAXWELL era a agente de EPSTEIN, ‘ela é má e devem focar nela’.”
O documento continua: “TRUMP disse a [Reiter] que esteve uma vez com EPSTEIN quando adolescentes estavam presentes e TRUMP ‘saiu dali imediatamente’. TRUMP foi uma das primeiras pessoas a ligar quando descobriram que estavam investigando EPSTEIN.”
Papel central de Reiter na investigação
Reiter teve papel central na primeira apuração policial sobre Epstein na Flórida. Em 2006, ele criticou publicamente a decisão de promotores locais de submeter o caso a um grande júri em vez de apresentar acusações diretas.
O então chefe de polícia pediu desculpa às vítimas pela condução do processo e articulou nova investigação com autoridades federais. No entanto, esta resultou no acordo de não persecução com Epstein em 2008.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou cerca de 3 milhões de documentos em 30 de janeiro relacionados à investigação sobre Epstein, em cumprimento a legislação federal que exigia a publicação dos registros.
Uma análise do New York Times revelou que o presidente dos EUA é citado mais de 38 mil vezes nos arquivos, refletindo sua relação social passada com Epstein, iniciada nos anos 1980, mas deteriorada nos anos 2000. Trump afirmou que o vínculo terminou quando Epstein tentou recrutar funcionárias de Mar-a-Lago. O clube confirma a informação de que baniu Epstein da propriedade em 2007.
Os registros também mencionam interações entre Trump e Ghislaine Maxwell e incluem o relato de uma vítima anônima que disse ter sido “apresentada” a Trump em uma festa em Nova York. Ela afirma, porém, que “nada aconteceu” entre eles.
*Fonte: Revista Oeste