Advogados do banqueiro pedem investigação de autoridades que teriam violado o sigilo funcional e levado conteúdo de celulares à imprensa
A defesa de Daniel Vorcaro informou ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito para “apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação”. A nota foi divulgada na manhã desta sexta-feira, 6.
Vorcaro está preso desde a última quarta-feira, 4, por ordem do ministro André Mendonça, do STF, por fraudes envolvendo o Banco Master. Depois da prisão, dezenas de mensagens trocadas com autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, foram divulgadas.
“Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”, diz a nota.
Moraes é citado nominalmente na nota da defesa do banqueiro, em razão dos “supostos diálogos” entre Vorcaro e o ministro. “Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação”, diz o texto.
Nesta sexta, 6, novas mensagens entre Moraes e Vorcaro foram divulgadas pela imprensa. Uma conversa entre eles teria ocorrido no dia da prisão do banqueiro, em novembro do ano passado. As mensagens de WhatsApp eram escritas no bloco de notas e enviadas como imagem de visualização única, que se apaga depois de vista — forma de precaução em caso de acesso por terceiros ao aparelho. Não se sabe o que Moraes teria respondido a Vorcaro.
Até agora, não foram reveladas mensagens entre Daniel Vorcaro e Viviane Barci, advogada contratada por R$ 129 milhões pelo Banco Master. Viviane é mulher de Moraes. O valor do contrato é considerado irreal na advocacia brasileira, ainda mais quando se revelou, até agora, apenas dois casos de atuação de Viviane em nome de Vorcaro e do Master. A suspeita é de que os pagamentos seriam a título de lobby feito por Moraes em favor do banco e do banqueiro. A imprensa revelou encontros entre eles e contato do ministro do STF com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para interceder a favor do Master.

Defesa diz que não acessou conteúdo de celulares de banqueiro
Os advogados também disseram que não acessaram o conteúdo dos celulares e computadores de Vorcaro, “imediatamente lacrado” depois de ser entregue pelos agentes da Polícia Federal. “O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.”
A nota também afirma que o objetivo do inquérito a ser eventualmente aberto “não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever”.
E finaliza: “Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos”.
Leia a nota na íntegra da defesa de Vorcaro sobre o pedido de inquérito
A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.
O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.
Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.
*Fonte: Revista Oeste