Medida visa acelerar a extração de dados em 80 celulares e notebooks apreendidos
A Polícia Federal (PF) transferiu para a Superintendência de São Paulo um lote de celulares, notebooks e pendrives apreendidos nas investigações do escândalo do Banco Master. O objetivo da movimentação é imprimir celeridade à extração e análise dos dados, que antes estavam concentrados em Brasília. A unidade paulista, maior do país, possui uma estrutura técnica robusta capaz de processar os cerca de 80 aparelhos pendentes de perícia — entre os quais figuram dispositivos de uso pessoal do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Até o momento, a perícia técnica da PF debruçou-se sobre apenas um dos aparelhos de Daniel Vorcaro. Os achados iniciais, contudo, já expuseram a existência do grupo intitulado “A Turma”, utilizado para monitorar alvos e obter informações sigilosas de interesse da instituição financeira. Integrantes do grupo, como Luiz Phillipi Mourão, conhecido como ‘Sicário’, são suspeitos de acessar sistemas restritos do Ministério Público, de organismos internacionais e da própria PF mediante o uso de credenciais de terceiros.
Plano de agressão e monitoramento
As mensagens extraídas revelam métodos violentos cogitados por Daniel Vorcaro. O empresário sugeriu a simulação de um assalto para agredir fisicamente um jornalista que publicava reportagens críticas ao Banco Master. O plano incluía diretrizes para “quebrar todos os dentes” do profissional. A PF acredita que o volume de dados nos demais aparelhos enviados a São Paulo possa detalhar ainda mais a rede de monitoramento mantida pela organização criminosa.
Detido desde o dia 4 de março por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro permanece sob custódia na Penitenciária Federal de Brasília. A transferência do material eletrônico para a força-tarefa em São Paulo deve resultar em novos laudos técnicos nas próximas semanas. Os investigadores buscam consolidar provas sobre as práticas de espionagem e as estratégias de silenciamento adotadas pelo núcleo de comando do Banco Master contra opositores e agentes públicos.
*Fonte: Revista Oeste